sábado, 15 de janeiro de 2011

O que a catástrofe no Rio de Janeiro quer nos dizer?


A dolorosa resposta da Natureza

Passei o dia de ontem assistindo a tragédia que acometeu a região serrana do Rio de Janeiro. É impressionante a quantidade de lama que soterrou casas, moradores, animais, plantas. Assim como impressiona a rapidez com que tudo acontece, mudando a realidade e a vida de centenas de pessoas. As imagens da desolação, tristeza, perda e do caos, nos enternece, nos machuca a todos. Junto com aquelas pessoas, seus rostos, seu sofrimento espelhado na amargura das suas falas, no embargo das suas vozes entrecortadas pela dor, todos nós, creio, cada qual a seu modo, recebemos a mensagem dessa catástrofe: Alguma coisa anda errada no relacionamento entre o mundo (Natureza) e o homem. Entre o homem e seus semelhantes, entre a Vida na Terra e a sua preservação, entre o Criador e a criatura.

São colocações que buscam abranger o pensamento coletivo de uma forma mais extensa. Há os que pensam ecologicamente, politicamente, os que pensam humanisticamente, os que pensam a partir de uma visão religiosa, sem contar ainda, com muitas outras linhas de raciocínio sobre os últimos acontecimentos. Mas a realidade está aí: Dura, com imagens que dão conta e denunciam e ainda apontam para a falha na responsabilidade dos que governam, em se tratando da vida dos que são governados. O que aparece em forma de catástrofe é apenas a ponta do iceberg. E só a ponta dele mostra o alto grau de destruição que ele contém e que está submerso.

A natureza após ter nos falado, com insistência, agora nos agride, revidando as agressões recebidas. Nós, que pensamos dominá-la, que a instrumentalizamos, fingimos esquecer ou não temos a consciência do que diz Michel Bosquet (Ecologia e Liberdade, 1977): “O domínio total do homem sobre a Natureza implica inevitavelmente um domínio do homem pelas técnicas de domínio” E é o que tem ocorrido. Estamos muito mais interessados nas técnicas de domínio, para praticarmos a expansão, de nossa territorialidade, de nossas posses. Ocupamos cada vez mais espaços e empurramos os menos favorecidos, em sua maioria, a ocuparem lugares que não deveriam ser ocupados. Lembro que também os ricos foram vítimas e a repórter de uma rede de TV afirmou que dessa vez a tragédia tinha sido “democrática”. Se não fosse tão triste, seria no mínimo engraçada, a colocação dela.

Num momento como esse, é que sentimos, de fato, o que representamos diante do cosmo. A nossa pequenez. É preciso que tiremos lições dessas experiências que não só aqui no Brasil, em Alagoas ( as enchentes), mas no mundo inteiro, vêm acontecendo. Há muito que deixamos de respeitar a Vida – a nossa, a dos vegetais, dos animais -, e a vida do planeta que habitamos. Deve ser essa a mensagem que nos atinge, a todos e de forma traumática. Parece que só uma catástrofe com essas proporções, consegue, ainda, mobilizar os afetos, a solidariedade, o nosso senso de coletividade e comunhão, a quanto sermos gente e não deuses, e do quanto somos indefesos diante da Natureza, apesar da nossa arrogância de dominadores dela. Somos obrigados a contemplar a nós mesmos, na nossa condição humana, efêmera e finita. É preciso repensar a Vida para salvar o que resta de nós e salvaguardar o planeta Terra.

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