Mulheres: conquistamos a liberdade e a igualdade entre os sexos que tanto buscamos?




 Não haverá vitoriosos na guerra entre os sexos


Ocupar cargos que antes pertenciam somente aos homens, ter independência financeira, liberdade sexual, essas coisas são estandartes erguidos desde algumas décadas e se configuram na qualidade de símbolos à pretensa liberdade e igualdade entre os sexos. Está claro que o mundo mudou. É verdade, mas é preciso que se perceba o que realmente as mulheres, nós, estamos vivenciando de fato. Qual a realidade do nosso sexo, o antes frágil? Somos realmente livres e emancipadas? Somos donas da nossa própria vida, como muitas pensam? Estamos felizes e à vontade no mundo?

Sempre que vejo notícias sobre seqüestros de mulheres, violência familiar e crimes passionais eu me pergunto, sobre a ostensiva propaganda da liberdade, igualdade e emancipação feminina, tão presente em nossos dias e que é refletida no comportamento atual das mulheres, jovens e maduras. Quando menina ouvia em minha casa e na casa das minhas amigas, a máxima, repetida como mantra pelas nossas mães: “O bom marido para uma mulher é um bom emprego”. Talvez essa frase simplista fosse consequência dos ecos do movimento feminista da década de 60, do século 20.

A gente era estimulada a desacreditar que uma relação amorosa, um casamento, valesse a pena tanto quanto um emprego. Ter independência financeira significava ser livre do controle do marido. Os afetos eram convidados a ocuparem o segundo plano na vida das mulheres. No fundo, trazia-se à tona a questão da dependência financeira da mulher, como um dos elementos, talvez o principal, que a mantinha em um relacionamento ruim. O sexo frágil não tinha como se haver, sozinho, com as despesas das crianças na escola, com alimentação, vestuário, e por isso as mulheres ficavam presas. Embora muitas delas, àquela época, pudessem provar o contrário.

A minha avó criou, sozinha, a minha mãe, costurando, entregando talão de luz e água de porta em porta, sendo bilheteira de cinema. Mas a máxima era generalizada. Mulher tinha que ter direitos iguais aos homens. Claro que não é justo que estejamos um degrau, e olhe lá, abaixo do sexo masculino. O mito do sexo frágil nos condena a uma posição subalterna e preconceituosa mesmo. “Lugar de mulher é na cozinha” Tem coisa mais vergonhosa? Não as que mulheres, não possamos cozinhar, mas temos direito a ocupar todos os lugares da casa simbólica: o mundo e a vida. Mas, a ocupação de todos os lugares nos dias atuais, está sendo decente e digna?

Qual o lugar que reivindicamos para ocupar, e que tipo de igualdade com o sexo oposto a gente queria? Que conceito de liberdade as antigas máximas colocaram dentro da nossa cabeça? O que almejávamos possuir tendo por base os ‘direitos’ diga-se, questionáveis, que o homem tinha e continua tendo, dentro da sociedade? Apenas a liberdade sexual e o direito de sair de casa para trabalhar fora? Será que a liberdade que sonhávamos era tão restrita assim? E se fizemos uma grande confusão àquilo que a gente conceituou de ‘direito’ e ‘liberdade’, quando tais conceitos envolviam um olhar mais aprofundado sobre a aplicação unilateral de uma moral restrita apenas ao sexo feminino?

Fidelidade, por exemplo, figurava como uma virtude exigida às mulheres. Mas esquecemos que infidelidade não é bom para ninguém em uma relação. O problema não se resolve conquistando, as mulheres, o ‘direito’ de sermos todos, homens e mulheres, infiéis. Outro exemplo, que mostra como também não é direito conquistado, abrirmos mão do acompanhamento da educação das crianças, por entendermos que já que trabalhamos fora de casa, os homens têm o dever de nos ajudar. Quem está educando os nossos filhos?

Vestimos o modelo masculino errado e copiamos dele os lugares-comuns e os comportamentos equivocados de ‘direito’ e ‘liberdade’ Se olharmos para trás, veremos que abandonamos nossa condição psicológica e afetiva de feminilidade. Confundimo-nos, e continuamos a nos confundir. Se olharmos à frente, e se tivermos coragem, aceitaremos que erramos o caminho e que demos passos atrás na construção da estrada para a liberdade, para os direitos e emancipação da mulher.

Não há como negar que apesar dos espaços conquistados, mergulhamos cada vez mais, no desrespeito e na indignidade, e não conseguimos ser iguais, porque não enxergamos que o nosso problema é o de não entendermos que conquistamos falsas liberdades. Só na condição do Amor é que os egoísmos, as desigualdades, os narcisismos e os preconceitos, podem promover a igualdade entre os sexos.

Por enquanto, continuamos sendo vítimas de crimes passionais, que não podem ser chamados de crimes por amor. Eles revelam como as mulheres, somos vítimas da violência, somos ainda vistas por narcisistas, como objetos de suas posses. No final do século 20, uma pesquisa feita em São Paulo revelou que dez mulheres eram assassinadas por dia no Brasil. O que demonstra que termos ocupado lugares, cargos, empregos, ruas, bares e entre outras coisas, a vida sexual livre, igual aos homens, não conseguimos superar a desigualdade demonstrada pelo abuso de poder de um sexo sobre o outro.

A tão procurada liberdade e igualdade, só serão possíveis quando, entre outras questões, a gente puder se libertar da condição de mito, de objeto sedutor para o exercício do sexo. Essa liberdade acontecerá quando formos capazes de exercer com espontaneidade a nossa função feminina, quando trouxermos de volta à alegria e a beleza à vida, sem precisarmos usar nossos atributos como arma que despreze, abandone ou destrua o homem.

É bom refletirmos sobre isso:

“Afinal... as mulheres sabem o que querem?”

Comentários

  1. Adorei o texto! Acredito que a redefinição social do papel homem-mulher seja algo que ainda não vá se elucidar facilmente.

    Espero depois sua visita no meu blog de trabalho. http://jurandirbozo.blogspot.com/

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Jucélio Souza, esse talentoso artista de Pão de Açúcar

Amanhã já é ontem

O que não se pode pesar