Ocupar o Conjunto Carminha é mesmo uma resposta à população alagoana?

O problema com os envolvidos com o tráfico de drogas é maior do que se imagina

Está claro que alguém ‘entregou’ Maria de Lourdes Farias de Melo, uma mulher jovem, de 26 anos, mãe de filhos dependentes dela ainda, aos traficantes de drogas do Conjunto Carminha, no Benedito Bentes. O modo cruel que caracteriza o perfil do grupo causa verdadeiro terror aos moradores do local e em quem quer que seja. Muito pior do que isso é o medo de saber, que entre a população e os traficantes, existe alguém que tem acesso aos dois lados e é um perigoso delator.

A história de horror, com requinte de crueldades, começa a ser conhecida pela sociedade alagoana de forma direta. Antes, a distância entre nós e o lugar onde episódios iguais a esse e outros que presenciamos recentemente, aconteciam, era o elemento que nos mantinha temporariamente seguros. A crença de que isso só acontecia nos grandes centros, caiu por terra. Estamos vivenciando aquilo que assistíamos a pouco tempo, pela TV.

O que é evidente, é que não existe para os habitantes do conjunto, mais do que duas alternativas: ou se permanece calado ou se vai embora. O castigo para quem procura colocar o dedo na situação existente é a condenação à morte. Coisa que o grupo faz questão de deixar claro, através de apresentações visuais bizarras. Quem não pode ir embora, tem que ficar calado.

Por que então, dona Maria de Lourdes não se calou? Será que um dos seus filhos estava sendo aliciados pelos traficantes? O que a incomodava tanto? Não se sabe por quais motivos ela preferiu se arriscar. Talvez fosse ingênua, ao ponto de não entender que assim o fazia, e que escondidos por trás dos traficantes, estão redes criminosas organizadas, organismos legalizados que exercem o poder, que têm porte de armas e que veiculam trocas de informações que favorecem a todos os envolvidos em dividirem os lucros da venda de drogas.

Não seria menos infantil da nossa parte, achar que esses grupos agem sem nenhuma logística, sem apoio ou sem parcerias. Eles são apenas a parte apresentável da sujeira, que inclui corrupção, tráfego de influência, comparsas delatores. São as pontas de lança dos senhores arqueiros que estão lá no topo das organizações derramando e garantindo a manutenção das drogas. O alimento apodrecido à sociedade já comprometidamente doente.

Se a informação dada por um morador do Conjunto Carminha: a de que Maria de Lourdes teria sido morta, brutalmente, por estar passando informações para a polícia for comprovada, por que a polícia não começa seus trabalhos investigando quem entregou a mulher aos traficantes? Quem é o perigoso ‘cabueta’ que funciona como, digamos, agente duplo, que transita entre a polícia e os traficantes, tem conhecimento das denúncias e de quem os denuncia?

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