Surpreendente! Menininha é encontrada dentro de um aquário!

 Lunar, o feminino em Isadora aumenta o número de mulheres que iluminarão o mundo

 A imagem se projetou na tela. De costas para expectadores ansiosos, eis que a criança queria preservar-se. Avós, tias, o pai e a mãe, esperávamos descobrir de quem se tratava aquele pequeno ser, dentro do aquário mais sagrado do mundo: o ventre da mãe. Deveríamos ter logo percebido que se tratava de Isadora, a menininha, a se esconder, propícia aos caprichos dos seus próprios mistérios. Coisa atribuída às mulheres. Assim somos, acusadas de incompreensíveis e impenetráveis, porque vivemos o mundo das sutilezas e da subjetividade. Não é a toa que a uma pergunta dirigida a nós, respondemos sem responder, sempre fazendo outra pergunta. Se alguém nos aborda, por exemplo:

- Quem temperou este peixe?
A gente responde perguntando:
- Por que? Ele não está bom?
Um, dos tantos aspectos, da natureza feminina.

Isadora cresce no mundo da mãe, e dentro dele, se prepara para chegar ao mundo de todos. Este lugar, cada vez mais confuso, violento, marcado pelo avanço tecnológico, pela sociedade da informação, que deixa pasma qualquer pessoa que pare para observar, que quanto mais avançamos e nos modernizamos, quanto mais nos informamos, mais foge de nós o conhecimento, mais nos desumanizamos.

Que quanto mais cresce a nossa conexão com o mundo, feita em questão de segundo apenas, mais nos isolamos em nosso solitário mundo pessoal. O campo das experiências dos sentimentos humanos está ficando deserto. E este é também um aspecto do mundo real, ainda que subjetivo, a ser cultivado no universo interior do homem, que está como que sendo transferido para espaços virtuais. A sacralidade do cultivo da imaginação pessoal e intransferível é esvaziada.

Não há tempo para o conhecimento de nós mesmos, que a todo tempo fazemos autoconstruções baseadas em falsificadas projeções do que queríamos ser, em correspondência àquilo que exigem que sejamos. Competitivo, o mundo prescreve que cada um faça exibição do que se tem, não do que se é. Produzimos uma imagem que muitas vezes difere daquilo que somos.
 
Simular tornou-se a maldição do mundo contemporâneo. E é sob a maldição que produzimos irrealidades ameaçadoras à riqueza da nossa vivência espiritual, substituída por doses cavalares de ilusão. Eis a desertificação da realidade e ao que tudo indica o princípio do fim, do homem afetivo, amoroso, que constrói laços fortes e procura impregnar de sentido sua trajetória vivida, buscando a tradução do seu locus interno, na experiência como habitante no mundo.

Como portadoras da Luz, as mulheres carregam tochas que espalham a claridade feminina pelos ambientes. É assim que acontece nos ritos do Mistério dos Elêusis, o culto da grande Ísis. O mito significa, também, o lançar de sementes sobre a terra, fazendo brotar nova vida, para alimentar a história da alma. Que Isadora, cujo nome significa: Presente da lua, dádiva de Ísis, e todas as menininhas, especialmente, que se preparam para habitar nosso mundo, portem a luz misteriosamente suave, lunar, que ilumina com precisão os novos passos que o feminino precisa andar e que são capazes de acender o caminho à consciência dos homens.

Que as sementes que você lançar sobre o chão da Terra, frutifiquem transformadas em encantamento e alegria, porque a alegria é um presente ao mundo, que nasce do coração da mulher.
Estamos esperando a sua chegada, menininha! Seja bem vinda!

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