Terça-feira


Hoje, dois pingos de colírio é o que me fizeram chorar, duas abundantes lágrimas.
Ao portão, o carro estacionado espera ninguém e Amarelo , o cão da vizinha, não queria me fazer medo. Eu é que quis sentir. Veio correndo e ao se aproximar diminuiu os passos e me olhou com sua mansidão previsível, que eu teimo em suspeitar. Aguçou os olhos que se tornaram pedintes. Não sei ler a alma dos cães pelos olhos, mas ele queria entrar em casa. Sua agonia é também previsível. Deve ter medo de tornar-se - se não passar portão de ferro adentro -, por um descuido, o vira-lata que é.
Sobre o muro amarelo da minha casa, pendem galhos e flores amarelas sem perfume, em direção à rua.
O sol saiu e lançou luz cintilante e amarelada, por sobre o chão ainda molhado, da lembrança da última chuvarada.
As duas lágrimas de mentirinha, me trouxeram outras, saídas das flores em minhas retinas. Não eram falsas. Eram despropositais. Às vezes os olhos da gente choram sem a gente querer. Choram por chorar.






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