domingo, 18 de agosto de 2013

Ao Companheiro de Luta, Luisinho Costa



O tempo passa tão depressa... Se não me engano, foi no final do ano passado, nas celebrações da formatura das crianças do ABC, que nos encontramos, eu e Luizinho, festejando nossos pequenos doutores: meu sobrinho e sua netinha. Aquela noite festiva onde trocamos tantas palavras amistosas, marcava, porém, nosso último encontro, de tantos encontros que tivemos décadas atrás, ambos, militantes do PC do B em Pão de Açúcar. 





Pela manhã recebemos, eu e Waldson, a notícia da sua partida. Comove-me sentir que a sua presença sorridente, ponderada, companheira de tantas lutas, fez deslocamentos no tempo, ocupou espaços e agora se ausenta para desconstruir-se no silêncio do útero úmido da Terra-Mãe. Comove-me, sobretudo Luizinho, lembrar que em um período significativo, fizemos parte da vida uns dos outros, entrelaçando andanças, discussões políticas e história.

Comove-me saber que a sua realidade se despede e nos obriga a mergulharmos no recurso da memória. Quero fazer dela, não apenas uma lembrança, mas um relicário precioso cheio de receitas: a de como fazer o vento encher as velas da canoa, São Francisco afora, e nos levar até Limoeiro para conversas e reuniões com as pessoas, a de tecer afetos enquanto se cumpria as tarefas como militantes, a de preservar amizade, ainda que destinados a cumprir as nossas próprias tarefas, tenhamos distanciado as nossas presenças. 
Guardarei a receita da sua tranqüilidade e ponderação, em meio a nós, às nossas discussões, bem mais jovens que éramos do que você naquela época.

Luizinho, eu me sinto honrada por ter feito parte - de um instante que tenha sido -, no tecido humanitário de sua jornada. Eu tecia parte da minha esperança, também. Tecemos juntos, todos, algo parecido com um conto sobre a chuva, na aridez dos nossos sertões interiores, tão sedentos de perspectivas por um mundo – quiçá -, por um tempo melhor. E isso é sempre digno de nobreza porque sempre nos remeterá àquilo que de fato é nobre. Leve consigo a minha saudade, tão e sempre honrosa à sua pessoa. Certamente outras lutas, tão dignas quanto as que você travou aqui, o esperam.

Mãos a obra, companheiro!!!!

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