sábado, 22 de fevereiro de 2014

Bordadeira

Céu de nuvens e o azul esmaecido,
imenso, sobre a minha cabeça.
O mundo gira perseguindo o meu destino,
e eu a tecer-me de um único fio que serpenteia,
à pirueta ancestral de outros bordados.
A minha sina é a de ser bordadeira,
dando ponto, à extensa toalha, de fazer da vida arte.
Tenho, por fim, que bordar.
Pede-me o cansaço que eu seja ao universo
a auspiciosa viajante,
E que fuja da fatigante tarefa,
como laçada de crochê, que escapou da agulha
e dos dedos da artesã, renegando o bordado.
Mas eu, que já nasci presa ao meu fio,
bordo cabriolante, à dor e à alegria,
fincando meus pontos no mundo.

Curiosidade

No silêncio desta manhã
Escuto a conversa das flores ao pé do muro.
Conversa de flor é sobre como abrir pétalas e florir
É como se faz suave sobre si, o pouso das borboletas
e o orvalho da noite.
Arvorejo-me, disfarçada à escuta, para saber sobre a flora.
Tagarelice de muita flor junta é sobre cor e perfume.
Se há muito perfume e muita cor.
Senão é sobre arredores, matinhos e insetos.
Da esquina vejo um muçambê que me vê.
Afoito que nem eu, penduculado, humaniza-se,

querendo saber sobre mim.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Quietude. O dia começa nublado. A manhã cheira a hortelã e boldo do México e a minha muda de trepadeira de belas flores azuis, cresce vertiginosamente. Caminho pelas ruazinhas dentro dos muros da minha casa e tudo é tão verdinho e cheio de vida, e tudo também carrega tanto mistério... Olhei demoradamente para a Via Láctea, ontem à noite, e pensei sobre a imensidão do cosmo, sobre outras galáxias... Grandioso mesmo é tudo o que nos cerca. Imensa e inexplicável é a minha ideia de Deus!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Por associação



Do botão à flor,
da lagarta à borboleta
do bambuzal no meio da viagem,
à viajante paisagem que enfileira pensamentos.
Um casebre com janelas desleixadas corre pelos meus olhos,
também, aquelas duas mulheres.
Pensando bem, não eram duas.
Eram três, 
e vinham ao sol, com sombrinhas coloridas.
Lembrei das minhas quatro gueixas de delicada louça,
tocando seus instrumentos, e cenas do cinema japonês.
Em uns cinco filmes.
Eu preciso é de um sofá, de Ozu e Hore-eda