quarta-feira, 19 de abril de 2017

Buraco Negro

O desejo de amor quer um canto para dois e planeja seu próprio universo.
E à vontade de que passe a existir,
cria na própria desordem uma ordem binária de zero e um.
Navega-se sem barco, o leme inventado invertido,
sobre um denso mar de palavras
essa tela de letras, 
em estrangeiros países
de dramáticos sentimentos.
As frases dialogam e são apagadas,
Os traço de suas rotas evaporam.
Que teclado inútil, que nem à memória dos toques seus afetos sobrevivem.

Sobre os navegantes, a regra:
nunca, nunca, haverão de se encontrar.
Não há lugar a chegar como na dança de Maia.
Ilusão que à impermanência de um pequeno planeta, um só gesto o exclui.
Onde, únicos, pensam sim ou não apenas, sempre à beira de um noves fora.
Um. Que traga para o que é coisa alguma,
o que bem poderia, não sendo zero, ser tudo.

Eis-os, então.
Navegantes, de uma mesma soma incompreensível
Dois, 
sozinhos em um buraco negro.

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