terça-feira, 19 de abril de 2011

Mulheres: conquistamos a liberdade e a igualdade entre os sexos que tanto buscamos?




 Não haverá vitoriosos na guerra entre os sexos


Ocupar cargos que antes pertenciam somente aos homens, ter independência financeira, liberdade sexual, essas coisas são estandartes erguidos desde algumas décadas e se configuram na qualidade de símbolos à pretensa liberdade e igualdade entre os sexos. Está claro que o mundo mudou. É verdade, mas é preciso que se perceba o que realmente as mulheres, nós, estamos vivenciando de fato. Qual a realidade do nosso sexo, o antes frágil? Somos realmente livres e emancipadas? Somos donas da nossa própria vida, como muitas pensam? Estamos felizes e à vontade no mundo?

Sempre que vejo notícias sobre seqüestros de mulheres, violência familiar e crimes passionais eu me pergunto, sobre a ostensiva propaganda da liberdade, igualdade e emancipação feminina, tão presente em nossos dias e que é refletida no comportamento atual das mulheres, jovens e maduras. Quando menina ouvia em minha casa e na casa das minhas amigas, a máxima, repetida como mantra pelas nossas mães: “O bom marido para uma mulher é um bom emprego”. Talvez essa frase simplista fosse consequência dos ecos do movimento feminista da década de 60, do século 20.

A gente era estimulada a desacreditar que uma relação amorosa, um casamento, valesse a pena tanto quanto um emprego. Ter independência financeira significava ser livre do controle do marido. Os afetos eram convidados a ocuparem o segundo plano na vida das mulheres. No fundo, trazia-se à tona a questão da dependência financeira da mulher, como um dos elementos, talvez o principal, que a mantinha em um relacionamento ruim. O sexo frágil não tinha como se haver, sozinho, com as despesas das crianças na escola, com alimentação, vestuário, e por isso as mulheres ficavam presas. Embora muitas delas, àquela época, pudessem provar o contrário.

A minha avó criou, sozinha, a minha mãe, costurando, entregando talão de luz e água de porta em porta, sendo bilheteira de cinema. Mas a máxima era generalizada. Mulher tinha que ter direitos iguais aos homens. Claro que não é justo que estejamos um degrau, e olhe lá, abaixo do sexo masculino. O mito do sexo frágil nos condena a uma posição subalterna e preconceituosa mesmo. “Lugar de mulher é na cozinha” Tem coisa mais vergonhosa? Não as que mulheres, não possamos cozinhar, mas temos direito a ocupar todos os lugares da casa simbólica: o mundo e a vida. Mas, a ocupação de todos os lugares nos dias atuais, está sendo decente e digna?

Qual o lugar que reivindicamos para ocupar, e que tipo de igualdade com o sexo oposto a gente queria? Que conceito de liberdade as antigas máximas colocaram dentro da nossa cabeça? O que almejávamos possuir tendo por base os ‘direitos’ diga-se, questionáveis, que o homem tinha e continua tendo, dentro da sociedade? Apenas a liberdade sexual e o direito de sair de casa para trabalhar fora? Será que a liberdade que sonhávamos era tão restrita assim? E se fizemos uma grande confusão àquilo que a gente conceituou de ‘direito’ e ‘liberdade’, quando tais conceitos envolviam um olhar mais aprofundado sobre a aplicação unilateral de uma moral restrita apenas ao sexo feminino?

Fidelidade, por exemplo, figurava como uma virtude exigida às mulheres. Mas esquecemos que infidelidade não é bom para ninguém em uma relação. O problema não se resolve conquistando, as mulheres, o ‘direito’ de sermos todos, homens e mulheres, infiéis. Outro exemplo, que mostra como também não é direito conquistado, abrirmos mão do acompanhamento da educação das crianças, por entendermos que já que trabalhamos fora de casa, os homens têm o dever de nos ajudar. Quem está educando os nossos filhos?

Vestimos o modelo masculino errado e copiamos dele os lugares-comuns e os comportamentos equivocados de ‘direito’ e ‘liberdade’ Se olharmos para trás, veremos que abandonamos nossa condição psicológica e afetiva de feminilidade. Confundimo-nos, e continuamos a nos confundir. Se olharmos à frente, e se tivermos coragem, aceitaremos que erramos o caminho e que demos passos atrás na construção da estrada para a liberdade, para os direitos e emancipação da mulher.

Não há como negar que apesar dos espaços conquistados, mergulhamos cada vez mais, no desrespeito e na indignidade, e não conseguimos ser iguais, porque não enxergamos que o nosso problema é o de não entendermos que conquistamos falsas liberdades. Só na condição do Amor é que os egoísmos, as desigualdades, os narcisismos e os preconceitos, podem promover a igualdade entre os sexos.

Por enquanto, continuamos sendo vítimas de crimes passionais, que não podem ser chamados de crimes por amor. Eles revelam como as mulheres, somos vítimas da violência, somos ainda vistas por narcisistas, como objetos de suas posses. No final do século 20, uma pesquisa feita em São Paulo revelou que dez mulheres eram assassinadas por dia no Brasil. O que demonstra que termos ocupado lugares, cargos, empregos, ruas, bares e entre outras coisas, a vida sexual livre, igual aos homens, não conseguimos superar a desigualdade demonstrada pelo abuso de poder de um sexo sobre o outro.

A tão procurada liberdade e igualdade, só serão possíveis quando, entre outras questões, a gente puder se libertar da condição de mito, de objeto sedutor para o exercício do sexo. Essa liberdade acontecerá quando formos capazes de exercer com espontaneidade a nossa função feminina, quando trouxermos de volta à alegria e a beleza à vida, sem precisarmos usar nossos atributos como arma que despreze, abandone ou destrua o homem.

É bom refletirmos sobre isso:

“Afinal... as mulheres sabem o que querem?”

sábado, 16 de abril de 2011

Em Satuba, a tragédia anunciada: Um anti-herói em Alagoas?


De quem partiu os boatos?



Li a pouco, que escolas em Satuba estão fechadas, e que 3 mil crianças estão sem aula. Motivo: um boato de que o que ocorreu em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, aconteceria nas instituições públicas de ensino da cidade. Não é para menos. Não cansados com a espetacularização da notícia, que colabora com a banalização da vida, os meios de comunicação continuam divulgando tudo o que vão encontrando de novidades em torno da figura de Wellington Menezes de Oliveira. O uso abusivo e irresponsável da imagem do rapaz, é um desserviço, porque ajuda a construir para as pessoas - em sua maioria, para os jovens -, a transformação da sua figura doentia, em uma outra: a de um quase herói, especulado em suas ações, em seus gestos, e em sua mente aturdida. Por que dar tanta ênfase em torno da imagem de alguém, que vítima de transtorno mental, praticou um ato que traumatiza e denuncia as mazelas escondidas sobre as sombras de uma sociedade inteira?

Somos convidados a prolongar, de maneira sádica, a desgraça alheia: A mídia segue instigando o acontecimento amargo às crianças que sobreviveram, e aos pais e familiares daquelas que se foram, mexendo repetidamente, em qualquer possível processo de cicatrização das feridas sofridas por essas pessoas. Para isso ela trabalha com a fustigação da lembrança se utilizando do seu pior aspecto. As imagens que machucam a alma. Aquela que prende a memória dos que estão sofrendo nas malhas do tempo das suas dores. É a ampliação exaustiva de um sofrimento de outrem, a qual somos envolvidos para além dos sentimentos de humanidade para com eles, e para conosco mesmo, quem sabe?. Porque se chegar a vez da nossa desgraça, os outros agirão conosco da mesma forma: como expectadores. Meros expectadores, doentes por notícia espetaculares, apenas.

O pior de tudo é que nos deixamos enganar e envolver pelas notícias espetacularizadas, e acabamos nos desviando da dor e do sentimento verdadeiros. A gente chora assistindo pela TV, vendo na internet, lendo nos jornais, a tragédia alheia. Mas à maioria isso acontece no nível da emoção imediata, instigada pelas imagens, dramatizadas na voz de belos repórteres. A exemplo disso, veja-se a quantidade de pessoas que nunca chegaram próximo ao ex vice-presidente, José Alencar, e que choraram em seu velório, como se fossem amigos íntimos dele, movidos pela comoção coletiva e guiados por uma emoção vinda de uma imagem de pessoa boa, honesta, trabalhada pelos meios de comunicação? Não querendo com isso dizer o contrário a respeito dele. Como pessoa comum que sou, não tive a oportunidade de conhecê-lo. A gente se emociona. Uma emoção sem profundidade e tão imediata quanto a duração e o tipo de emoção conotada da imagem que se nos oferece e nos bombardeia.

A repetição da notícia e o abuso da informação contida de imagens e detalhes, acaba esvaziando a nossa emoção e transformando o impacto inicial em uma busca, para muitos, quase neurótica, acerca da continuação daquilo que não tem mais o que dar. É aí quando acontece a banalização do acontecimento e a evaporação daquilo que nunca foi dor, nem solidariedade para valer, àqueles que sofreram o dilema. Por outro lado, a mesma mídia coloca de pernas para o ar, qualquer possível conclusão saudável, a que possamos chegar sobre o caso. Começa a mitologizar o réu, mostrando fotos, cenas, vídeos, como se tais informações trouxessem benefícios à população. A avidez cada vez maior, pela supressão de carência, faz com que se criem esses mecanismos de busca de informação por parte das pessoas. Muitas vezes para que se possa se colocar no lugar dos que sofreram a tragédia e poderem dizer, aliviados: graças a Deus que não foi comigo!

Quanto aos boatos em Satuba, eles terão surgido de alguém que admira o ato de Wellington Menezes de Oliveira? Tais boatos nos mostram o quanto estamos vivendo numa sociedade ávida de informação. Mais das vezes, de informação doentia, onde a espetacularização da realidade, onde cada signo é cada vez mais, um objeto em si mesmo. É por isso que precisamos constantemente de espetáculos. Como podemos continuar sendo humanos?


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sobre os distúrbios fronteiriços da personalidade

A sensação de vazio, medos incontroláveis, desejo de autodestruição, apontam para uma situação humana indesejável de alerta e de perda



Comecemos partindo do dogma cristão: Criado à imagem e semelhança do seu criador, o homem, em sua trajetória pelo que chamamos vida – essa experiência que nos aturde – poderia suscitar inúmeros questionamentos acerca desse princípio básico que pontua a sua origem e o propósito divino. Sim. Porque convém entender que se espelhamos o mistério da divindade, certamente o que ela diz de si mesma, é que aquilo a que convencionamos ser Deus, assim como nós, está ainda em construção.

Somados ao próprio mistério que nos envolve, seríamos as partículas de um todo ainda incompleto e imperfeito? À revelia do imponderável, como revelação dos distúrbios do fabricador nas criaturas que fabrica? É com essa premissa filosófica que a meu ver, cabe como substrato à psicologia moderna, que construo o meu texto a partir da leitura feita de outros dois, sobre esse assunto. A presunção e o olhar de jornalista, observadora social, me convoca a levantar estranhamentos, perguntas. O contexto se situa na abordagem sobre a ansiedade e o distúrbio fronteiriço da personalidade, conhecido como borderline.

Sem procurar entender a dinâmica do mundo em que vivemos, não é provável que consigamos entender com mais clareza, os problemas que envolvem a alma e a mente humanas. Também é preciso que se localize o lugar de ser e estar de cada um, dentro do emaranhado mecanismo da sociedade contemporânea. Apesar da constatação de deficiências no funcionamento do lobo central- uma área do cérebro – fatores tais como a influência familiar e social são reconhecidas como determinantes no comprometimento do juízo crítico, contribuindo para o descontrole emocional no indivíduo.

A sensação de vazio constante, o desejo de autodestruição, desamparo, medos incontroláveis, ataques de pânico, fobia social, sintomas do borderline e da ansiedade sem limite, apontam para uma situação de alerta e de perda. De uma perda maior e bem mais profunda: a perda de si mesmo, da própria razão da existência, à medida que se perde o sentido da vida. É como se cada uma das pessoas vítimas desses distúrbios, fossem as partes do mesmo todo, ferido, que se deixa apresentar, visível, como pontas de icebergs no barco das instabilidades e desordens emocionais, a balançar sobre as ondas do mar bravio da vida moderna doentia.

É aí onde um espaço às inquietações deriva perguntas: e o que porventura determina a influência familiar e a social? E qual das duas exerce influência sobre a outra em primeiro lugar?. Onde começa o moto contínuo? A roda social sobre a família ou a família sobre a roda social? Quais os elementos que caracterizam a idiossincrasia de uma influência familiar que propiciam as condições para que o distúrbio se manifeste, no caso do borderline, por exemplo? Quando se trata de ansiedade, pesquisas mostram que 65% das crianças cujos pais sofrem de ansiedade, provavelmente apresentarão sintomas parecidos. Se levarmos em conta a hipótese de que esses pais eram filhos de pais ansiosos, através de quantas gerações, os membros dessa família vêm repetindo o quadro de ansiedade e por quê?

Nessa instância, mergulhado na simbiose entre sociedade e família, o indivíduo inevitavelmente, passa a ser sujeito, já que inserido como peça da engrenagem, não pode prescindir dessa realidade. A ciência tem conseguido adentrar, sempre mais, na mente humana para averiguar e situar os 'defeitos' dessa máquina. Máquina, no sentido mais doloroso da palavra, porque somos fragmentados no próprio corpo, como ferramentas de extensão da sociedade de informação. Aonde está o espaço da experiência humana que dá alento à alma do mundo e à alma do homem?

Mas, se criados à imagem e semelhança de Deus, o grande mistério, somos e estamos todos esgarçados nas dores de uma ferida coletiva, talvez, fruto das atividades do pensamento divino projetados em nossa carne. Somos medo e fobias, somos vazios intermináveis, constelados nos portadores dos distúrbios fronteiriços de personalidade. No fundo também somos portadores, em maior ou menor grau, de todas as peripécias das dores psíquicas, como resposta às incompletudes e imperfeições na nossa busca para a construção perfeita de Deus e na construção de Deus em nós.

sábado, 9 de abril de 2011

Para tecer novas histórias


Amanheci.
Josa me disse para não ficar triste com os reveses da vida. ‘Se ficar mulher, fica pior!’. Hoje o dia é outro. Essa coisa de ficar meio pra baixo, foi ontem e eu já aprendi a dormir e acordar como se a experiência de viver fosse algo novinho em folha. Fico fazendo estréias, anunciando a mim mesma, um espetáculo improvisado. Eu me dou ao luxo de dirigir e atuar em cena. Parece que vai chover daqui a pouco. O céu está nublado e as jias escondidas pela casa chacoalham. Um vento frio atravessa a minha memória. Escuto a voz da minha mãe cantando uma canção de amor. Em que parte do meu tempo vivido, chega onde estou essa voz e essa lembrança? Sinto por causa dela, segurança e aconchego. Uma alegria sustentada por aromas de uma manhã, talvez, com o mesmo cheiro dessa manhã de hoje. Cá pra nós, a vida exala uns cheiros que quando digo às pessoas, só Alvinho entende, porque sente também. Ninguém mais que eu conheça. São coisas da minha memória que não sei como, consigo guardá-las pelo olfato. Fragrâncias de um dia, de uma data, de acontecimentos. Joana, a minha irmã do meio, sente quando falta açúcar, nos doces que faz, pelo cheiro da fervura. Esse talento eu não tenho.

Ainda ontem invoquei a Deus batendo em sua porta: ‘Não é por nada não, meu Deus, mas preciso alcançar uma Graça, com certa urgência’. Na mesma hora me ocorreu uma dúvida enorme; a de não saber como se deve pedir. Depois amoleci a alma, feliz, porque senti a satisfação de entender que para quem tem o poder de sondar corações, no mais profundo deles, deve saber ouvir, e já consertando, o meu pedido, se eu o fizer errado. Me consola ter a certeza dessa fezinha de nada, que me deixa ficar aproximada do coração divino. Essa minha, assim mesmo, miudinha, miudinha, mas ao meu alcance, do jeitinho que sei exercitá-la. Um dia desses, Manta me disse que aproveitava qualquer coisa ruim que lhe acontecia, para oferecer como sacrifício a Deus. Até uma afta que aparecia na boca, servia para trocar com Ele pelo favor de uma Graça alcançada. Isso me fez lembrar José de Rosa que doente e mal sentado num banco de hospital, sem fôlego, dizia em voz alta: ‘Mais sofreu Nosso Senhor Jesus Cristo’ e que aguentou o próprio calvário, que não tinha o peso da cruz, mas tinha a falta de ar, até o médico chegar e socorrê-lo e ainda de quebra, fortaleceu sua fé.

Respiro aliviada o ar dessa manhã nublada, de quase inverno. Ando louca pra ver a chuva caindo através dos vidros da janela. Quando chove é certo eu chover por dentro também. Ouço o tamborilar dos pingos nas velhas telhas da minha casa, eu, menina ainda. Vejo os veios d’água que escorrem pelo meio-fio do calçamento. Caminho à escola e minhas galochas fazem um barulho engraçado. Alvinho pediu que me enviassem uma carta, onde ele quer que eu saiba que tem pena de mim, na capital. Mas não é pena. É saudade, a palavra que ele não sabe dizer ainda. Agora, o meu filho está em meus braços e me olha com tanta doçura que tenho vontade chorar. O rio São Francisco navega por dentro de mim. Manta fez chá e me adverte que está escrito na Bíblia que a boca fala do que está cheio o coração. Sou feliz na sua companhia. Me sinto amada e dona da alegria, que ela me garante, ter vindo de Deus como um dom para mim. No mês de São José, santo de sua devoção, saio do quarto para não vê-la morrer. Choro. 

Pelos vidros da janela, agora mesmo, volto a mim, uma senhora com rugas. O ontem e o hoje se confundem. Eu própria me confundo entre o que fui de mim e entre todas as pessoas que tenho sido e que carrego comigo. Tenho a sensação e sinto o cheiro do tempo que me tem vestido com as marcas de todas as narrativas da minha vida. Veste sobre veste.

Hoje é outro dia, certamente.
Ofereço à vida a tristeza do dia de ontem e a alegria com a qual me visto  hoje, talvez a minha melhor vestimenta.
É para tecer novas histórias, as do presente, que amanheci nesse sábado.

sábado, 2 de abril de 2011

Que ironia! Feliz de quem é primeira-dama em Alagoas

Limoeiro de Anadia falha na merenda escolar das crianças, mas Heloísa Ferro sai da prisão para amamentar

Sem espanto leio os jornais essa manhã de 2 de abril onde a notícia já esperada está estampada: Um habeas corpus liberta a primeira-dama de Limoeiro de Anadia. O argumento utilizado é no mínimo irônico, porque leva à população, uma situação que tem o efeito de: faca de dois gumes. Senão aquela velha questão onde se diz que, o feitiço virou contra o feiticeiro. Amamentar significa alimentar, nutrir. Não é falta de escrúpulo ou de sensibilidade, a gente assistir, com certo prazer, o tiro saindo pela culatra. A necessidade de ser nutrido, que o filho da primeira-dama tem, não é diferente da necessidade de alimentação das crianças em idade escolar. Ou é?.

O que faz com que a necessidade de alimentação de uma criança se sobreponha à falta de respeito e o direito à mesma necessidade básica, às outras centenas de crianças da cidade de Limoeiro de Anadia?. Será que uma mulher do povo, poderia usar tal argumento e ser beneficiada? Há uma criança inocente das denúncias de irregularidades que pesam sobre seus pais, precisando ser amamentada. Isso é lógico. Do outro lado existem crianças, também inocentes e penalizadas por esses atos denunciados, as quais foram negadas uma merenda de qualidade. Há uma mulher se prevalecendo da condição de nutridora, para sair da prisão. Existem centenas de mães as quais não se perguntou se têm comida em casa para dar aos seus filhos e que se roubarem, serão presas.

Conheço um caso, onde uma criança, ainda sem estar na escola, ia à escola onde o irmão estudava, e na hora do recreio e se colocava abaixo da janela, para que o outro passasse a metade da merenda para ele. Essa situação funciona como o efeito bumerangue: é para alimentar uma criança que a argumentação se ‘justifica’. Só que o que vem sendo negada às crianças menos favorecidas, não é considerado. Nem todos somos alvos de privilégios diante da Justiça. Mas esse pode ser o momento em que a consciência da primeira-dama, seja convidada a se expandir.

Pode ser o instante onde se pense, sendo mais direta; onde Heloísa Ferro, a esposa do prefeito de Limoeiro de Anadia possa pensar, que as outras mães precisam do alimento que a merenda escolar propicia para seus filhos, assim como o seu filho precisa ser amamentado. E que ser nutrido e com qualidade, é uma condição básica, que não se pode negligenciar, nem negar, nem subtrair a nenhuma criança sob os cuidados dos gestores públicos.

Enfim eu tenho uma pergunta a fazer a Justiça: Essa criança não poderia ser trazida até a capital e permanecer aqui até a sua mãe ser posta em liberdade? Não haveria ninguém para trazer essa criança à prisão para a que a mãe pudesse amamentá-la?

Feliz de quem é primeira-dama em Alagoas.