Pensamento embolado
Adilson me faz raiva. Daquelas que a gente tolera e vai levando. Desatencioso, faz que escuta o que digo mas não ouve. Ouvido de mercador. Responde 'tá certo, tá certo, dona Violeta, mas nem se presta à atenção. Quis atingi-lo essa manhã e sem dar tempo dele tomar fôlego, sem preparar o terreno, anunciei sem rodeios nem misericórdia, a morte de um cantor de bregas antigos. Um daqueles de sua devoção. Ele parou de arrancar os matinhos do jardim e ficou ali matutando. Coçou a cabeça. E eu satisfeita, me sentindo vingada, mexi na emoção dele, só para aumentar mais um pouquinho a sua tristeza. ' Quer ver a notícia na internet, quer? Eu mostro'. Queria ver sim. Queria ver para acreditar. Como consolo de si pra si, cantou a música mais conhecida do cantor e foi buscar na memória quantos cd's tinha, a lembrança de um show que tinha ido. 'O artista era dos bons. Sabia entrar e sair do palco com educação. Fazia bonito'. Calou-se, resignado. Voltou a tirar matinho por m...