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Manhã. Tudo branco ou tudo como se eu quisesse branco? No muro alto a hera planta-se. Firme. Agarrada a parede. Do lado de dentro, a casa. Silenciosa. Os móveis adormecidos e cheios de objetos dentro, esperam. Do lado oposto, balançam as folhas de uma árvore. Movimento. Os contornos do branco borram a cena antes estática. Novamente dentro, o barulho que o gato faz comendo a ração quebra a imobilidade. Não o silêncio. Esse, meu, que debulha pensamentos, onde cabem os sons de pássaros, é pura magia. No jardim interno, grandes folhas da jibóia avançam sobre a parede de pedra, libertando as novas folhas que atravessam, vitoriosas, as pérgolas e vislumbram um mundo de telhados e céu. Chuvisca. O gato cheio de direitos, pula sobre a bancada. Dono de si, me olha satisfeito, rabo hirsuto, sinalizando felicidade. O sol acende um raio amarelo. Disputa a manhã com os pingos d’água. Impõe-se lançando mais raios, mais amarelos, mais luz. Maribondos voam, pensamentos voam, palavras voam... Alguma ...

Passou

  Esgarçou-se a fibra do tecido que não esperava por isso... E por trás da brecha como na tv, o esperado invadiu meus olhos. Pronto! Passou... Aquele show de Milton Nascimento e Chico Buarque, que eu desejei tanto assistir.   A camisola da minha mãe, que na gaveta inexistente, É teimosa em fingir estar lá. O livro onde a minha avó escolheu guardar uma pena do papagaio, Uma folha de goiabeira e pequenas flores. De novo, E, de novo, e já passou. Pronto. A maturidade sem músculos, das minhas irmãs e a minha, a pele solta que engilha os braços... os mesmos que nos abraçam. umas às outras, nos apoiando. Éramos ontem e hoje, somos? Talvez as mesmas, talvez, não Pronto. Passou novamente. Estamos nos segurando na brecha que se abriu, surpresas. Surpresas. Somos o tecido e o rasgo.