Entrando em outras dimensões
Ilustração: Goretti Brandão Trouxeram a menina que adentrou na casa com um vestidinho azul-marinho, estampado com bolinhas brancas e de alcinhas vermelhas. Uma graça. Magrinha e dona de dois grandes olhos, os cabelos chegavam à cintura, escorridinhos pelas costas e bem escuros, foi logo esboçando um riso sem dentes à mostra, apertando os lábios numa falsa timidez, que se confirmaria em alguns minutos. Entreolharam-se, ela e o menino, e se reconheceram amigos, praticamente inseparáveis, assim, unha e carne, comemorando o encontro em carreiras desembestadas. Ambos com cinco anos estavam dispostos a percorrerem o mundo da imaginação por eles conhecido. Eram cúmplices. Via-se pelas intenções que afinavam, para desembaraçar a realidade e construir outras, paralelas e prenhes de novidades, todas prontas a funcionarem, e muito bem, obrigada. O corredor comprido e largo virou campo de futebol, onde os dois jogavam a bola para o gol dentro da rede fantasma, que só eles sab...