Depois de ontem

De um lado o caminho de sempre que não é mais o mesmo.

Não será jamais. Mas enquanto olho pela janela do automóvel, busco recompor a minha cidade, derrubar esta que é outra, que a outra não me diz o que dizia.

Eu tenho que escavar pelo menos cinco décadas soterradas para trazer o presente que há muito prescreveu.

Depois de retirada a terra do tempo, anseio ver Kilé, a preta, e o seu tabuleiro cheio de laranjas descascadas e seus roletes de cana.

Ela, ali, sentada no lugar de sempre quase à entrada do campo de futebol.

Meu pai está comigo e segura a minha mão enquanto caminhamos rumo aos pés do morro. Aos pés da vida, aos pés de tudo.

Olho meus dedos fincados no chinelo. E tudo torna-se ventania, e poeira e desejo de eternidade. 



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