Dos mistérios brancos da névoa
Manhã de neblina - Foto WEB A viagem aconteceu por dentro da neblina espessa. A paisagem escondida em uma brancura fosca me obrigava a acender todos os sentidos. Lembrei da cegueira branca de Saramago. Seria assim? Lembrei também de quando me sentava no batente da porta com Francisquinho. Éramos crianças. Ficávamos de adivinhar quem se aproximava. Tudo era vulto esguio no meio daquela alvura toda. Eu expirava o ar pela boca para ver a fumaça fria saindo por ela. A neblina dava tangibilidade às nossas vozes. Francisquinho me dizia sorrindo e todo cheio de inocência, que a cor da voz da gente era branca. Brumosa bruma, alva, era tudo parecido com a poesia de Cruz e Souza. Jásper chegou de mansinho, ergueu o rabo peludo e passou entre a gente se enroscando dengoso, querendo mimo. Nenhum pingo de sol e já era dia. Uma manhã de final de julho, próxima do meu aniversário. Novos vultos alongados. ‘Hoje não chove, vai fazer um solzão’. Uma voz de dentro de casa falou sozinha pelos corredor...