Velório
Parecia que velava dona Rosa, de costas para os pés da falecida, como se estivesse na feira, dona Creuza contava à pessoa da frente, que ele, o rapaz que a filha tinha se envolvido, enganou a todo mundo. Falsificou documentos e levou a moto da mãe dela. Que as crianças, tinha muita pena, queria que o pai pedisse a guarda e levasse as duas com ele. Fez contas dos gastos. Cinco mil reais. Deu de entrada para comprar a moto. E o miserável ficou com ela. A filha da falecida, em meio às lágrimas, falou por entre dentes ´que aqui não é lugar de se lavar roupa suja´ e, tendo uma crise de sentidos soluços foi levada para o quarto amparada pela irmã mais velha. Um rapaz magrinho que usava um corte de cabelo desses modernos, nem parecia, mas era o encarregado de encomendar o corpo. Dona Rosa quieta, sob um véu de filó branco, não estava mais ali, que Deus em sua misericórdia já a tinha levado para si. Mas a assistência estava. A sala cheia da gente matuta e da gente da rua, conservava ...