Sentir para mim é encantamento
Sexta-feira ensolarada. É bem provável que o dia avance dessa forma. Manhãzinha, chuva desproposital e de pouca molha, levantou um cheirinho de terra aguada. Acordo. Estou viva. Quero escrever, mas as palavras fugiram de mim, como fazem de vez em quando. Tudo que vejo é simplesmente tudo o que vejo e apenas o que vejo. A alma das coisas se esconde e meus olhos apenas refletem a vida sem mergulhar nela. Preciso da permissão do que existe por dentro do que se vê, para entrar naquilo que não se vê. Pensar sobre árvores, sobre a chuva, sobre a mulher que passa na rua catando lixo, me obriga a senti-los. Sentir é encantamento, talvez delírio, porque não me basta pensar sobre o que está claro: a árvore, suas folhas, sua raiz. A chuva que molha, a mulher que necessitada, cata restos nas lixeiras. Quero sentir a partir das imagens. Por isso é que me arrisco a sair do lugar de dentro de mim onde sou confirmada, para emprestar valor àquilo que, disposto, é quase semp...