Passou
Esgarçou-se a fibra do tecido que não esperava por isso...
E por trás da brecha como na tv, o esperado invadiu meus
olhos.
Pronto! Passou...
Aquele show de Milton Nascimento e Chico Buarque,
que eu desejei tanto assistir.
A camisola da minha mãe,
que na gaveta inexistente,
É teimosa em fingir estar lá.
O livro onde a minha avó escolheu guardar uma pena do
papagaio,
Uma folha de goiabeira e pequenas flores.
De novo,
E, de novo, e já passou.
Pronto.
A juventude sem músculos, das minhas irmãs e a minha,
a pele solta que engilha os braços...
os mesmos que nos abraçam.
umas às outras, nos apoiando.
Éramos ontem e hoje, somos?
Talvez as mesmas, talvez, não
Pronto.
Passou novamente.
Estamos nos segurando na brecha que se abriu, surpresas.
Surpresas.
Somos o tecido e o rasgo.
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