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Nos jardins do Paraíso

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Abri a porta e o homem sentado por trás do birô da sala, me olhou como se eu não existisse. Menos mal. Também olhei para ele, enviesada. Um dia incomum o de hoje. Pela manhã Erílio me ligou, e sem rodeios foi logo me contando, que havia perdido a carteira com documentos, cartões de crédito e dinheiro. “Assim? Do nada? Assim, ele achou que caiu do bolso enquanto andava de motocicleta. Ai meu Deus, pensei comigo mesma: será que não posso estar em paz? Pena de Erílio, o coitado sem dinheiro, e sem ter pra onde correr, nem com quem contar. Resolvi sair ligando para os irmãos dele: ‘Olhe minha gente, Erílio perdeu quinhentos reais. O que se pode fazer por ele?’ Ninguém se prontificou com nada. Passei o restante do dia me sentindo mal. Vontade de chorar. Tinha que fazer uma viagem pra Maceió, dia seguinte, e ia levar aquela preocupação comigo. A felicidade é que Alvinho é diligente. Foi ao Banco quase na mesma hora que contei a ele, e colocou uma parte do dinheiro na conta de Erílio. Ningué...

Mulheres: conquistamos a liberdade e a igualdade entre os sexos que tanto buscamos?

  Não haverá vitoriosos na guerra entre os sexos Ocupar cargos que antes pertenciam somente aos homens, ter independência financeira, liberdade sexual, essas coisas são estandartes erguidos desde algumas décadas e se configuram na qualidade de símbolos à pretensa liberdade e igualdade entre os sexos. Está claro que o mundo mudou. É verdade, mas é preciso que se perceba o que realmente as mulheres, nós, estamos vivenciando de fato. Qual a realidade do nosso sexo, o antes frágil? Somos realmente livres e emancipadas? Somos donas da nossa própria vida, como muitas pensam? Estamos felizes e à vontade no mundo? Sempre que vejo notícias sobre seqüestros de mulheres, violência familiar e crimes passionais eu me pergunto, sobre a ostensiva propaganda da liberdade, igualdade e emancipação feminina, tão presente em nossos dias e que é refletida no comportamento atual das mulheres, jovens e maduras. Quando menina ouvia em minha casa e na casa das minhas amigas, a máxima, repetida co...

Em Satuba, a tragédia anunciada: Um anti-herói em Alagoas?

De quem partiu os boatos? Li a pouco, que escolas em Satuba estão fechadas, e que 3 mil crianças estão sem aula. Motivo: um boato de que o que ocorreu em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, aconteceria nas instituições públicas de ensino da cidade. Não é para menos. Não cansados com a espetacularização da notícia, que colabora com a banalização da vida, os meios de comunicação continuam divulgando tudo o que vão encontrando de novidades em torno da figura de Wellington Menezes de Oliveira. O uso abusivo e irresponsável da imagem do rapaz, é um desserviço, porque ajuda a construir para as pessoas - em sua maioria, para os jovens -, a transformação da sua figura doentia, em uma outra: a de um quase herói, especulado em suas ações, em seus gestos, e em sua mente aturdida. Por que dar tanta ênfase em torno da imagem de alguém, que vítima de transtorno mental, praticou um ato que traumatiza e denuncia as mazelas escondidas sobre as sombras de uma sociedade inteira? Somos convidados...

Sobre os distúrbios fronteiriços da personalidade

A sensação de vazio, medos incontroláveis, desejo de autodestruição, apontam para uma situação humana indesejável de alerta e de perda Comecemos partindo do dogma cristão: Criado à imagem e semelhança do seu criador, o homem, em sua trajetória pelo que chamamos vida – essa experiência que nos aturde – poderia suscitar inúmeros questionamentos acerca desse princípio básico que pontua a sua origem e o propósito divino. Sim. Porque convém entender que se espelhamos o mistério da divindade, certamente o que ela diz de si mesma, é que aquilo a que convencionamos ser Deus, assim como nós, está ainda em construção. Somados ao próprio mistério que nos envolve, seríamos as partículas de um todo ainda incompleto e imperfeito? À revelia do imponderável, como revelação dos distúrbios do fabricador nas criaturas que fabrica? É com essa premissa filosófica que a meu ver, cabe como substrato à psicologia moderna, que construo o meu texto a partir da leitura feita de outros dois, sobre es...

Para tecer novas histórias

Amanheci. Josa me disse para não ficar triste com os reveses da vida. ‘Se ficar mulher, fica pior!’. Hoje o dia é outro. Essa coisa de ficar meio pra baixo, foi ontem e eu já aprendi a dormir e acordar como se a experiência de viver fosse algo novinho em folha. Fico fazendo estréias, anunciando a mim mesma, um espetáculo improvisado. Eu me dou ao luxo de dirigir e atuar em cena. Parece que vai chover daqui a pouco. O céu está nublado e as jias escondidas pela casa chacoalham. Um vento frio atravessa a minha memória. Escuto a voz da minha mãe cantando uma canção de amor. Em que parte do meu tempo vivido, chega onde estou essa voz e essa lembrança? Sinto por causa dela, segurança e aconchego. Uma alegria sustentada por aromas de uma manhã, talvez, com o mesmo cheiro dessa manhã de hoje. Cá pra nós, a vida exala uns cheiros que quando digo às pessoas, só Alvinho entende, porque sente também. Ninguém mais que eu conheça. São coisas da minha memória que não sei como, consigo guardá-las pel...

Que ironia! Feliz de quem é primeira-dama em Alagoas

Limoeiro de Anadia falha na merenda escolar das crianças, mas Heloísa Ferro sai da prisão para amamentar Sem espanto leio os jornais essa manhã de 2 de abril onde a notícia já esperada está estampada: Um habeas corpus liberta a primeira-dama de Limoeiro de Anadia. O argumento utilizado é no mínimo irônico, porque leva à população, uma situação que tem o efeito de: faca de dois gumes. Senão aquela velha questão onde se diz que, o feitiço virou contra o feiticeiro. Amamentar significa alimentar, nutrir. Não é falta de escrúpulo ou de sensibilidade, a gente assistir, com certo prazer, o tiro saindo pela culatra. A necessidade de ser nutrido, que o filho da primeira-dama tem, não é diferente da necessidade de alimentação das crianças em idade escolar. Ou é?. O que faz com que a necessidade de alimentação de uma criança se sobreponha à falta de respeito e o direito à mesma necessidade básica, às outras centenas de crianças da cidade de Limoeiro de Anadia?. Será que uma mulher do povo, pod...

Dá para entender os desfehos das Operações Mascoth e Gabiru?

O executivo prende e o judiciário solta A cada nova investigação da Polícia Federal acontecem novos desfechos já conhecidos pela população: Revelações sobre os desvios de verba, prisões, nomes que vão a público, o que significa que pessoas conhecidas e muitas vezes, já suspeitas nas cidades onde ocorreram as investigações, são trazidas à luz e enchem de imagens e narrativas, de um dia para a noite, todos os veículos de comunicação. Desta vez, algumas primeiras-damas, secretários, ex-secretários, uma ex-prefeita desfilam sob os olhos da população. Esse tipo de acontecimento passa a cada dia a ter um gosto de notícia gasta. Mudam apenas os detalhes, mas a coisa toda, a sujeira que envolve gestores públicos e instituições, já é uma antiga conhecida de todos. O que dá para perceber é que há um grande hiato, uma falha na conexão entre os poderes; Executivo e o Judiciário. Isso quer dizer que o desfecho final se perde no meio do caminho. Uma força anula a outra. É de se perguntar qual o...