Estaremos presenciando os sinais do apocalipse?

Acidentes nucleares, enchentes, guerras e toda sorte de catástrofes nos atingem

Há pouco menos de uma semana, numa festa de aniversário, ouvi uma conversa entre uma jovem e uma senhora. O assunto era sobre o final do mundo. E os pontos de vista e opiniões giravam em torno dos últimos e constantes acontecimentos que têm sido mostrados pelos veículos dos meios de comunicação. É assustador ver o acidente nuclear, o tsunami e o forte terremoto que sacudiram o Japão e que continuam provocando consequências que extrapolam para muitos o entendimento sobre a extensão do problema. Estaremos vivendo o início dos tempos apocalípticos?

Argumentar acerca dos fatos, tendo como alicerce o que está escrito na Bíblia Sagrada, na maioria das vezes, causa uma infinidade de debates, que deslocam o olhar das pessoas para além deles e criam um fogo cruzado sobre a crença ou não na Palavra. Escuto atenta aos argumentos da jovem, que procura explicar que as catástrofes sempre aconteceram, mas que antigamente não se tinha a presença massiva da mídia, na divulgação das ocorrências. A senhora usava o exemplo das severas previsões bíblicas que há muito tempo anunciam o desfecho dos sinais do apocalipse.

Dentre os e-mails que recebo, muitos são mensagens que convidam a fazer uma corrente de vibração em determinada hora da noite, em prol do planeta. Há certa angústia e apreensão no ar. A ciência explica os terremotos: placas tectônicas (deformações da crosta terrestre devidas às forças internas que sobre ela se exerceram), o tsumani, forças dominadas pela natureza. Podemos ter previsões, mas não somos capazes de evitar que aconteçam. Por outro lado, sabemos sobre a causa das inundações e outros males, como resposta da natureza, à agressão e o desrespeito do homem em relação a ela.

Parece que ter-se o conhecimento daquilo que independe e do que depende da vontade e da responsabilidade humana, não faz lá grande diferença para nós. Continuamos a atingir de modo inconseqüente as regras próprias e os limites impostos pela natureza, como se não dependêssemos dela, para que a vida viva sobre a Terra. A inteligência que faz com que tenhamos o domínio sobre os outros animais, tem nos distanciado cada vez mais da necessidade de harmonia com o nosso habitat natural: o lugar específico com características ecológicas tais, ocupado pelas populações do mundo.

As forças da natureza que não são possíveis controlar, temos visto a sua demonstração, muitos até cheios de temores, pela televisão, pela internet. Mas, e sobre acontecimentos que estão ligados à ação do homem, e que podem ser evitadas porque estão sob o nosso controle, o que dizer? Isso me lembra o livro: O Senhor dos Anéis, onde o seu autor, o escritor, professor e filólogo (estudo da língua em toda a sua amplitude) J.R.R.Tolkien. Longe de ser apenas uma fantástica obra de ficção, o escritor nos alerta para a impossibilidade de mantermos à mão, um poder que é maior do que podemos carregar ou conter.

Em função do progresso e do desenvolvimento, lidamos com descobertas, extraídas da própria natureza. Ao tomar posse delas, adquirimos algo que nos coloca a todos em risco e o que é pior, depois de deflagrada e fora de controle, como o acidente nuclear, agora no Japão, o manuseio dos elementos da natureza se voltam contra a própria natureza, e contra nós, esquecidos que estamos de que somos parte dela. O lugar onde moramos passa a ser estéril. As pessoas têm que sair dali para sobreviverem. Estamos diminuindo nosso habitat e contribuindo para o fim da nossa sobrevivência por aqui.

Isso é catastrófico e apocalíptico? É. Quer sejamos ou não indiferentes às correntes de opiniões, de concepção religiosa, filosófica, mística, e por aí vai, nós estamos vivenciando aquilo que, para quem lê a Bíblia, por exemplo, já é uma constatação. Não é possível colocar panos quentes, com argumentos de que a mídia hoje divulga o antes sempre aconteceu, só que não se sabia. É ingênuo, tentar se convencer e aos outros, de que tudo está igual a como era antes. Não está. Não sei se estamos diante do final do mundo, mas algo nos coloca sob a iminência de mudanças drásticas no planeta. O que pode não significar o fim dele, mas, quem sabe, o fim trágico de muitos de nós.

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