terça-feira, 30 de outubro de 2012

Em um desses domingos...


O espectro do que fora a árvore a mantém ainda de pé entre telhados e prédios. Tediosa em sua ressequidão, ela é só a lembrança da mobilidade, e do metabolismo que no pretérito e só nele, agora referido, houvera habitado. Exposta à insensibilidade, esquece-se do viço e da seiva e o que eram folhas, são agora distorções que suportam a indiferença do assobio dos ventos, à memória dos últimos dias, aqueles, quando os pássaros foram-se embora para nunca mais voltar. 

Calaram-se de uma só vez todos os cantos, ou foram-se calando aos poucos, da vez que o respirar se ausentava da folhagem? Lembra-se, porém, o último bem-te-vi, que chegando ao telhado vizinho, enxergara desolado, o silêncio e a tristeza que emudecera seu cantar,  e soubera então que aquilo era um presságio. Vira, que a vez de petrificar-se em extrema rigidez, chegara ao vegetal. Lembra-se, também, a mulher, que da sua varanda, ao chegar para morar ali, assistira a árvore frondosa ser a mãe de seus frutos. Eu a vejo como uma aparência vã, talvez, se de olhá-la, contemplar apenas seu tédio e deixar fora de mim, o lamento que pertence à mulher, ou ausentar-me à memória do bem-te-vi, que vira naquele momento, na ferrugem das folhas, o fim dos galhos e o crepúsculo da árvore.

Ao que vejo, minha vista se ressente e se escarça em fissuras e fibroses. Filamento-me pelos caminhos da alma, e a seiva que  me percorre as artérias,  verga-me todos os dias, sob dores que não são as minhas. Castigam-me saudades alheias e castiga-me o fado de distribuir pedaços da alma que é minha, por sobre tais insípidas imagens do mundo. Desfolho-me, como em outubro se desnudam as craibeiras, até que me possa salvar, a reminiscência da árvore à história dos seus dias. Ao fantasma que assisto, maculado, só a imodéstia de que estimo uma obra de arte, sucederá ao meu desejo de que se tenha tornado. 

domingo, 21 de outubro de 2012

Dor para curar a dor, que nem essa coisa de blues...

Vinham de uma longa caminhada, quando pela primeira vez, ela observou que havia muitos  frege-moscas bem nos beiços da pista. Em um deles avistou Edite, uma idosa e excêntrica senhora e conhecida de ambos, que lhe cumprimentou com uma cara de pra-mim-tanto-faz-como-tanto-fez. Isaura  por sua vez, trazia consigo e há tempos, uma tristeza profunda disfarçada de indiferença. Adiantou-se e mostrou, 'Olhe quem está ali, Olavo?!' e seguiu em frente. Olhou para trás e viu quando o marido foi ao encontro de Edite. 'Nunca que eu soubesse que ele tinha tanto apreço por ela. Logo Olavo, que de tão estranho, vive de evitar as pessoas', pensou.
Ao que parecia um hábito seu, diário, automático, seguir pelo caminho de sempre, pela rua lógica, aquela à sua frente, que formava um ângulo reto com a que seguia, e que a levava à sua casa, Isaura o contrariou e seguiu andando na mesma direção em que vinha. Talvez porque suas pernas a levassem, talvez porque a indiferença a tivesse distraído, e distraída não entendera que naquele momento uma outra Isaura dentro dela, atrevida, fizera a escolha de caminhar outras andanças. 
Quando se deu conta, perdera-se e com ela a noção de onde se encontrava. Aonde estou indo? Tentou em vão lembrar de um ponto de referência que a levasse de volta à sua vidinha cotidiana e previsível, de tão repetitiva que tem sido. Isaura fez esforços em vão para reconhecer aqueles estranhos lugares. Sabe apenas que está andando em pontas-de-rua, porque todas as pontas de rua se parecem. Mas o lugar é completamente desconhecido, embora Isaura tenha a certeza de que está em território conhecido. Como assim? Ela, infelizmente, não sabe explicar como.
É a cidade onde mora, mas essas ruas não lhe pertencem, porque tanto quanto Isaura, essas ruas a desconhecem. As casas emparelhadas vedam constatações e negam a intenção em saber sobre que distância ela está da sua. Aqui, a casa é só um desejo decodificado e retido entre fachadas de janelas e portas que se repetem por onde Isaura passa. Caminha, mas não sabe para onde ir, porque petrificada em uma única lembrança, a sua memória esqueceu que em volta da sua casa há arredores. E que em todo canto se podem achar referências.
Mas, ao tudo indica, todos os signos que a poderiam levá-la de volta quebraram-se em dissociações. Isaura, ela mesma, é um signo quebrado, como estilhaços de vidro espalhados pelo chão, excluindo inteireza e  nunca assentindo perfeita recomposição. Todas os caminhos tornam-na a sua própria encruzilhada. Sozinha, ocorre-lhe um sobressalto e  ela então compreende que é só e tão-somente, a sua tristeza, o seu ponto de partida. Porque ela tem sido o único sentimento que a reconhece. À intenção de ir ao seu lugar de chegar, sua própria dor sabota o seu intento, embota a geografia do seu curso, atulha em sua memória, os pontos cardeais e a faz esquecer a sua bússola em um dos bolsos da calça. 
Só a tristeza de estar perdida e sem rumo, pode ser maior do que a tristeza que a sobrecarrega. A dor que cura a dor, como antídoto - que é que nem essa coisa de blues -, é quem vai levar Isaura de volta pra casa. Ela  entendeu, e por fim, reiniciará o retorno, reencontrará Olavo e olhará de novo para Edite, que surpresa de outra forma de surpresa, verá na mesma Isaura uma Isaura que é outra. Uma Isaura que reconhece todas as ruas de voltar, porque recuperou seus signos e recompôs a memória. Ela sabe aonde ir. Aquele disfarce de indiferente que usara por sobre a  tristeza, fez a tristeza errar-lhe o caminho até perdê-la de si. Era a tristeza que reclamava reconhecimento e como tristeza queria ser encarada, só para poder daí, trazer Isaura para os seus próprios arredores, arrebatados da memória. Com única companheira, ela sinalizava que as trilhas para a casa, percorriam os caminhos da alegria. A casa, perdida, era ela mesma, Isaura, esquecida de ser feliz. Ela lembrou, finalmente.



sábado, 20 de outubro de 2012

Do poeta Zé Paulo à sua poesia Memória da Flor

“(...) o poeta José Paulo vive em Pão de Açúcar, à beira do rio São Francisco, olhando todos os dias o curso do rio, conversando com a sua gente, sertaneja como ele, fonte de sua inspiração e razão da sua existência”. 


Na década de 1980, Zé Paulo cultivava um cabelo tipo black power, escrevia poemas e a cozinha de sua casa era o local onde reunia amigos para estudar e discutir o marxismo-leninismo. Sua mãe, dona Ubaldina, era uma mulher vigorosa, atenta às coisas do mundo e possuía um talento inquestionável para dizer suas verdades, misturando humor e sarcasmo. Em um desses encontros, ela me perguntou se de onde eu vinha, existia uma coisa chamada pente, porque "o seu amigo Zé Paulo precisa de um para pentear os cabelos". Do seu pai, Seu Otacílio, um homem reservado, a frase que até hoje guardo dele, quando uma vez, na sala de estar, se referiu aos tempos modernos: "O homem que casa nos dias de hoje está praticando pra corno". Foram-se os anos e ficaram as pétalas dessas flores, que contive na memória. 

Um poeta em movimento, é como bem o define o historiador Geraldo Majella. Os contornos que a sua sombra projeta, desenham o poeta caminhando sobre o calçamento das praças do centro de Pão de Açúcar. Tardes afora, abrigado do sol quente sob as grandes árvores, ele é assim: uma silhueta levemente vergada sob o viver às formas do mundo e de falar sobre ele em forma de poesia. Zé Paulo é fantasmagórico, em seu jeito silencioso de percorrer as mesmas provincianas ruas, de visitar amigos, de emprestar para eles os seus livros, de dizer sobre as coisas que o cercam, jogando frases quase soltas, fazendo extensos intervalos, marcados pelo costume que tem de pousar a mão direita sobre o coração, por seguidos minutos, às vezes ate bem longos.

Parece que ele alinhava pensamentos, como se fosse aos poucos costurando os desdobramentos e como se ficasse esperando que algo de dentro dele fornecesse as palavras. Não é raro abstrair-se em meio à nossa conversa, para um lugar que invalida o momento presencial e que parece arrebatá-lo da realidade compartilhada por todos, para uma viagem para dentro do seu universo, que dilatado até o verso, permite que a flor que ele viu, branca e azul, seja apenas uma memória. A memória da flor. Essa é a belíssima poesia de Zé Paulo, musicada pelo artista alagoano Júnior Almeida, que dá nome ao seu novo trabalho. O lançamento está marcado para hoje à noite, no Teatro Gustavo Leite, no Centro de Convenções.

“Do amor que é ilusão e prazer, antes de significar, move-se ou não se move no céu a abstração”, eu troco a ordem dos versos, para da flor decifrar a memória e para brincar com esse amigo, poeta da minha terra, que há 30 anos publica seus poemas. Zé Paulo me disse que não encontrou a poesia ou foi encontrado por ela: “Poetas não nascem nem encontram. Poetas são simplesmente poetas”. E quando eu perguntei como era ter um poema tão bem casado com a uma melodia, ele me respondeu que: “A música existe nos poemas, no conjunto individual do autor, no conjunto dos poemas de todos os autores. Criei a Cidade Virtual onde a música percorre a cidade fazendo a sua segurança. Esta virtualidade provém do urbanismo”

A poesia constela a virtualidade do céu azul e branco sobre a cidade, suscetível de ser realizada e vista como uma enorme flor. A música é o vigilante da sua segurança e juntas, a melodia e a palavra, reforçam a premissa da racionalidade humana, como conciliadora entre urbanismo e sensibilidade. É então o verso que a expande até tocar nosso universo através de Zé Paulo, esse homem de pouca conversa e de tanto sentido, dono de um universo singular. Infinito, enorme, poético e demasiado, como a Memória da Flor.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Monólogo ou talvez uma vã filosofia a Dirceu Fonseca

"Não existe uma verdade cujo sujeito possa ser o seu detentor"

Você acredita mesmo, meu caríssimo Dirceu, meu locutor e interlocutor, emissor e meu receptor de tantos diletismos, em outros cenários paodeaçucarenses - mais plásticos e simbióticos -, que no espectro solar, a cor vermelha é signatária da corrupção e é também corruptora às outras cores?
 
E sobre aquelas pessoas que usaram a cor vermelha durante a campanha eleitoral, você acha mesmo que elas, ao usarem essa cor como símbolo do seu candidato, são todas elas corruptoras, meu respeitoso e inteligente filósofo?

Dentre todas as outras cores, que agora após as eleições, você vaticina: todos poderão usar, qual delas é signatária da arrogância? Qual a cor do ressentimento?
 
Sob o imenso manto azul que veste o nosso céu, e sobre o chão que a gente pisa, todos, sem exceção somos espectros solares. A vitória de um candidato não invalida opiniões contrárias, não significa que os interesses, diversos, que agregou a maioria sejam os mais certos, nem apaga a cor vermelha que muitas pessoas decentes e pensadoras como você, quiseram vestir. Não me refiro aos candidatos.

Refiro-me às cores: Azul e Vermelho. Elas são signatárias de virtudes e vícios. De corruptos, corruptores e corrompidos. As cores se influenciam umas às outras. Assim como entre o yin e o yang, o final do dia e o começo da noite há um ponto, mínimo e com um tempo ínfimo que seja, onde os dois lados de uma mesma moeda se misturam e se confundem e nessa mistura e confusão, corremos, todos, o risco de sermos contaminados pelos vícios e corrompermos nossas virtudes.

Uma cor que seja soberana em Pão de Açúcar, como você enuncia, só traduz arrogância e poder. E a democracia é legítima quando traduz equilíbrio.

Veja a bandeira de Alagoas. A nossa bandeira:

Ela é vermelha de um lado e azul de outra. Quem tem o maior poder e a maior de todas as soberanias, para fazer o melhor para o povo de Pão de Açúcar, somos nós mesmos. Após as eleições, o povo, nós, meu caríssimo Dirceu, somos a meu ver, signatários da cor branca. O branco sim, é a mistura de todas as cores, reveladas na transparência de todos os arco-íris. Nós, com nosso empenho, é que equilibraremos as cores (Idéias) e daremos curso ao nosso enredo.
 
Se a nós mesmos nos fazemos pejorativos, e sobre o povo-azul, você afirma que : "Estamos todos muito alegres (...) vamos escrever por aqui nosso enredo, nossa história... por enquanto, também se chamará SALVE JORGE!!!Rsrsrs", os que se vestem de vermelho podem, fazendo suas as palavras do grande poeta russo Maiakovski, responderem:  

“Não estamos alegres, é certo. Mas também porque razão haveríamos de ficar tristes? O mar da História é agitado”

SALVE TODOS OS PAODEAÇUCARENSES!!!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Salve Salve Pão de Açúcar, salve a terra da cultura... E viva a prefeitura!


O povo vota. A maioria elege

Li sobre a entrevista concedida pelo prefeito eleito Jorge Dantas, hoje pela manhã, a José Vicente, da rádio Jaciobá. Nela ele sinaliza suas disposições e seu plano de governo. Acredito que o momento seguinte para todos os eleitores da Onda Azul e do Mar Vermelho é acompanhar e conhecer o conteúdo do plano gestor de Jorge. Vencedores e vencidos nesta “batalha eleitoral”, estamos às portas da futura administração. 

É da obrigação de todos, é da responsabilidade de todos, e deve ser causa e efeito ao nosso interesse, para aquilo que vem adiante, porque saídos todos do período de campanha, entraremos em janeiro/2013 em outro contexto. Aos que escolheram votar em Jorge, a responsabilidade não é menor. 

Ao contrário, deve ser ainda maior, porque o que se deve comprovar na prática, é que o candidato eleito pela maioria tem realmente compromisso com essa maioria que o escolheu. Em nome dela e para mostrar que seus oponentes estão enganados, Jorge precisa executar ações, para concretizar e materializar as propostas feitas em campanha. O objetivo do seu mandato é promover mudanças e gerar desenvolvimento para Pão de Açúcar. 

Atitudes paternalistas não deveriam ser levadas em conta. Porque elas remetem a estratégias comuns, desonestas, e amplamente satisfatórias à grande parte de políticos. Não ao povo. Quando um político ajuda uma pessoa que não votou nele, não está fazendo mais que sua obrigação. Um gestor é gestor de uma cidade, do município. 

Ele não é o prefeito de quem o elegeu. É prefeito para uma população pãodeaçucarense, de 15.615 eleitores, dos quais, este ano, 14.287 compareceram às urnas e fizeram a sua escolha. Ele não pode perseguir quem não o escolheu. A escolha é livre. As pessoas têm o direito à liberdade de escolha. 

O bom político, o de boas intenções, chega junto de qualquer cidadão. Ninguém é obrigado a votar nele contra a vontade. E deve a todos tratar com distinção. Nenhum cidadão ‘deve’ nada a um político que se utiliza de uma necessidade sua, para dizer: “olhe aqui. Eu sei que você não vota em mim, mas eu vou lhe ajudar”, isso é coerção. 

Isso é cobrança de ‘reconhecimento’. Isso é encabrestar voto. Isso é exigir que a pessoa que foi ajudada, vote nele quando ele se candidatar novamente. Esses expedientes são antigos. São remotos, são dos tempos dos coronéis. O povo precisa dar a si mesmo o valor que merece.

Nenhum político, nenhum homem público tem o direito de coagir nenhum cidadão. Toda a ajuda que uma pessoa recebe de um político, vem do nosso próprio bolso. Vem dos nossos recursos, vem dos cofres públicos e são geridos pelo administrador da cidade. 

Quem deve favor a político é quem se vende a ele. Quem vende sua consciência social em troca de benefício pessoal é pior do que quem, supostamente, vende seu voto em troca de satisfações de necessidades imediatas. 

As mesmas palavras eu diria se Cacalo tivesse sido eleito. O povo vota. A maioria elege. Cabe à população de Pão de Açúcar, impulsionar, conferir e fazer com que se concretizem todas as ações que o plano gestor apresentará à população, para servirem de esteio e desenvolvimento nesses quatro anos de administração. Não esqueçamos, no entanto, que o exercício de cidadania não começa e termina com o voto. Vai adiante e a partir dele. 

Parabéns Jorge! A maioria do povo desta nossa Cidade Branca, onde a lua se deita sobre as águas do Velho Chico, confia em você! Pão de Açúcar precisa de quem cuide bem dela e de quem faça com que tenhamos orgulho de sermos paodeaçucarenses.

Para quem quiser conhecer e ter em mãos o conteúdo da entrevista do prefeito Jorge Dantas
http://minutosertao.com.br/index.php/blog/helio-fialho

sábado, 6 de outubro de 2012

Em quem você vai votar???

A imparcialidade não existe. Ser imparcial diante do que se coloca como escolha na vida em sociedade significa: Que não sacrifica a sua opinião à própria conveniência, nem às de outrem, segundo Aurélio Séc.XXI. Ser imparcial suporia uma despretensão que nós meros humanos não temos.

Existem ofertas e existe a possibilidade de escolha diante delas. Em um processo eleitoral, onde dois candidatos são ofertados aos eleitores, como é o caso de Pão de Açúcar, é feliz quem tem a convicção pessoal de quem é o melhor. Nesta eleição, eu já expus meu pensamento aqui neste espaço virtual, o meu voto é estratégico. É um voto de protesto, porque eu não encontro em nenhum dos dois candidatos, qual o melhor para a minha cidade. 

Minha escolha na hora de votar é conscientemente parcial e não poderia ser diferente. Mas os motivos para a minha parcialidade nascem da imparcialidade interior, vinda das minhas certezas de mulher, cidadã pãodeaçucarense, de pessoa consciente, politizada, graças a Deus. São as minhas certezas. Meu senso não é comum. Assim como em se tratando de pessoas esclarecidas, inteligentes e guiadas pelas suas instâncias internas, com certeza e com todo respeito, suas escolhas parciais, ainda que em desacordo com as minhas, também não estão alicerçadas no senso comum. 

Tenho direito de exercer minha cidadania, e o sufrágio, o voto, é ainda mais que uma escolha, um julgamento. Um julgamento popular, democrático, ainda que a gente saiba que o ato se acerca de mil e um ardis, que os desvirtuam, e que são conhecidos por todos nós; pobres e ricos, esclarecidos ou ignorantes de esclarecimentos. Todo mundo deveria ser prepotente na hora de votar. Porque o momento da decisão de quem vai gerir os nossos cofres, é um momento de grande poder e influência.

Poder e influência, que o povo deixa escapar e que poderia ser exercido, para compensar a opressão e despotismo, com os quais os candidatos se apresentam. Uns mais do que outros. Mas, presentes em todos eles. São exatamente duas formas de prepotência antagônicas entre povo e candidato. Duas parcialidades.

Como cidadãos, qualquer um pode colocar seus pontos de vista e colocar suas opiniões. A gente não pode impor nada, mas pode fazer uso da liberdade ‘orientar’ estradas. Isso é uma atitude democrática. Concordar ou não com o que está posto é outra história. Mas o direito a isso e fazer uso desse direito, todos temos.

Falo por mim: Meu voto é de longo prazo. É ideológico. Minha escolha é parcial, porque toda a escolha o É. Não voto em candidatos, não voto em suas propostas porque até que me provem o contrário, metade, será esquecida e engavetada. Voto na possibilidade de contribuir para que aquilo contra o que eu sempre lutei não se repita em minha cidade. 


Porque eu também sou capaz de enxergar as coisas e defender minhas certezas. Porque como eleitora eu tenho o direito a ser prepotente. Eu tenho nas mãos o poder e a influência que a democracia me confere.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Eu já contei?

Eu disse ao rapaz que ele chamasse Zé Raimundo, o taxista que é meu amigo, e você sabe de quem estou falando, não sabe, rapaz? -'Sei, garota'. O menino levou o carrinho até a porta do supermercado, todo apressado pra desocupar e pegar outro carrego, porque eu me vexo pra dar a gorjeta antes do tempo. Como é seu nome mesmo? Isnaldo. O primeiro táxi que chegou ele foi logo dizendo: é o da senhora, chegou, 'óia'. 
Não era ele não. Raiva danada do funcionário sorridente, achando que ele havia chamado o taxista errado. Uma mulher que anda acompanhada de uma menopausa parecida com a minha, sabe o que é ter raiva. Uma dessa, grande e desmesurada, por uma coisinha tão besta. Oscilação do humor é uma gastura. 
- Mas logo a senhora que parece que não tem tempo ruim, como pode? 
- Podendo, Josi. A raiva é que nem como uma coceira, que a gente não pode coçar, porque nem sabe onde está coçando. Quer ver raiva? É quando me lembro da prima de Audálio. Muito importante, toda cheia de propriedade,  com ares de sabe-tudo me dizendo outro dia: É síndrome climatérica. Coma isso, coma aquilo, aquilo outro e tome chá da folha da amora. Me dizendo o óbvio e se achando mais sabida do que eu. Eu tenho cara de desinformada tenho, Josi?. Sim, aonde eu ia mesmo nessa história? Eu já contei que quase pego o táxi errado? 
- Duas vezes. Três com essa, mãe. 
Tenha paciência, Nano. Mas eu terminei de contar como foi? A gente, eu e o menino já tínhamos colocado quase tudo dentro da mala do carro do homem. E ele olhando pra mim meio surpreso.
- A senhora me chamou mesmo, senhora?
Eu olhei para um carro que ia chegando e vi Zé Raimundo. Aí eu respondi ao taxista, já tirando minhas compras de dentro do carro dele: chamei não, senhor. O vexame do menino me atrapalhou. Como era mesmo o nome dele, Josi? Ela me olhou coçando a cabeça. Pensou, passou o dedo no rosto vasculhando espinha, encontrou uma, mexeu, remexeu. Olhou pra mim de novo, 'a gente tá ficando velha e esquecida, viu dona Amália?. Eu também não lembro mais não. A cabeça da gente né nada não, né dona Amália? Né nada'. 

Nano, eu já lhe contei do encontro que tive, no mesmo dia? Foi lá mesmo dentro do supermercado, com uma antiga conhecida que nem na menopausa está. Beijinho indo e vindo e a gente não lembrava o nome uma da outra. Pior é que usávamos o mesmo tipo de dissimulação, nos tratando por 'querida' o tempo todo. Contei? Que estalo eu tive agora. O nome dela é Valeska. Lembrei. 
- Já contou, mãe. Umas quatro vezes com essa.

Jarbas Ferreira-Kandinsky e o pop-rock alagoano

Tem muita gente que precisa ser conhecida no palco musical em Alagoas 


“Comecei a compor pra valer em 1990, com um pensamento mais sério e honesto, mas de um jeito simples, mas já pensando num trabalho mais bem elaborado no futuro. Eu fazia uma canção a cada seis meses. Eu não gostava da estrutura da música, destruía, e levava muito tempo pra construir outra, e assim era o meu jeito. Mostrar o meu trabalho em show viria a demorar muitos anos, por isso profissionalmente ainda é uma interrogação - prefiro ser um músico amador, sem experiência de palco” 

Da esquerda para a direita: Jarbas, Eduardo Callado, Fernando Coelho e Marcos Alves

Interessada em trazer para o conhecimento do público e divulgar outros tantos talentosos artistas alagoanos, apresento hoje o cantor e compositor Jarbas Ferreira. Quem o conhece o seu trabalho que levante o dedo. Eu posso levantar, sim. O pop-rock é a sua proposta que soma a sua banda, à diversidade desse estilo no cenário musical alagoano, ainda que pouco conhecido pelo grande público. O grupo é formado por artistas que não passam despercebidos, pelos que os trafegam pela música local: Marcus Alves (Luz de Candeeiro/Capa de Cangaia Véia), Eduardo Callado (Stonegarden/Kaddish) e Fernando Coelho (Santo Samba/CHIAR). Juntos eles fazem o Kandinsky, uma banda de rock vigorosa, sofisticada que emoldura as canções de Jarbas. 

Com forte identidade autoral, o artista mistura o charme do pop inglês com o lirismo poético da MPB. Imaginem o que resulta dessa fusão(?). As músicas são simples, melodiosamente simples, com letras que falam sobre afetos cotidianos e pessoais, ao mesmo tempo em que universalizados, as canções do Kandinsky mostram que a simplicidade é o expediente utilizado para fisgar naqueles que curtem o pop-rock e a banda, sentimentos constelados por elas. 

A história de Jarbas, entre outros percursos pelos caminhos da música, contabiliza três anos estudando violão clássico e popular. Há tempos, em 1989. Foi o cansaço de tocar músicas dos outros que inquietaram Jarbas e despertaram nele a intenção de compor. “Eu resolvi fazer minha primeira canção, que se chamava ÔNIBUS. Era uma crítica ao transporte público da cidade. Foi um obstáculo, como hoje ainda é. Mas eu não parei, gostei do obstáculo, e com o tempo fui aprimorando as melodias, arranjos e tons”, pontua ele. 

Passados 23 anos, a sua dedicação para ouvir muitas músicas, comprar muitos discos, e observar os grandes compositores da MPB, segundo o artista, o ajuda a absolver um pouco da estrutura de composição. 

“É um som retrô 

e ao mesmo tempo moderno e fácil de ser assimilado. As canções duram um máximo de cinco minutos. Às vezes a letra sai junto com a música. Depois só a letra. Depois só a música. Às vezes também, e a melodia chega por último. É um momento de inspiração, respiração e transpiração, uma espécie de mediunidade”, diz Jarbas falando ainda sobre com compõe e sobre a banda Kandinsky. 

“Trabalho árduo é fazer música” 

A participação do artista na cena musical alagoana é minúscula: um show com o Kandinsky em 29 de agosto de 2008, no Mandala. Uma apresentação na casa de um amigo com a Banda Gramophone Rock and Roll, em maio de 2011. Jarbas diz o que a gente, lamentavelmente, sabe: "Aqui em Alagoas temos uma legião de artistas maravilhosos, escondidos, dentro do Jazz, Blues, do Rock em seus variados segmentos. Isso é pop! Só falta os meios de comunicação - Rádio e TV -, abrirem mais espaços pra essa gente, e não ficar preso a dois estilos! Isso aliena o povo ,e os impedem de conhecer mais e mais artistas".


A banda Kandinsky está finalizando as gravações do novo Cd, Novos Românticos, com participações especiais de vários artistas da terra, e Jarbas em nome do grupo, agradece a todos.









Para contatos: http://www.myspace.com/tocakandinsky
tel: (82) 3334 1834 / 8878 1236