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Mostrando postagens de Outubro, 2012

Em um desses domingos...

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O espectro do que fora a árvore a mantém ainda de pé entre telhados e prédios. Tediosa em sua ressequidão, ela é só a lembrança da mobilidade, e do metabolismo que no pretérito e só nele, agora referido, houvera habitado. Exposta à insensibilidade, esquece-se do viço e da seiva e o que eram folhas, são agora distorções que suportam a indiferença do assobio dos ventos, à memória dos últimos dias, aqueles, quando os pássaros foram-se embora para nunca mais voltar. 
Calaram-se de uma só vez todos os cantos, ou foram-se calando aos poucos, da vez que o respirar se ausentava da folhagem? Lembra-se, porém, o último bem-te-vi, que chegando ao telhado vizinho, enxergara desolado, o silêncio e a tristeza que emudecera seu cantar,  e soubera então que aquilo era um presságio. Vira, que a vez de petrificar-se em extrema rigidez, chegara ao vegetal. Lembra-se, também, a mulher, que da sua varanda, ao chegar para morar ali, assistira a árvore frondosa ser a mãe de seus frutos. Eu a vejo como uma ap…

Dor para curar a dor, que nem essa coisa de blues...

Vinham de uma longa caminhada, quando pela primeira vez, ela observou que havia muitos  frege-moscas bem nos beiços da pista. Em um deles avistou Edite, uma idosa e excêntrica senhora e conhecida de ambos, que lhe cumprimentou com uma cara de pra-mim-tanto-faz-como-tanto-fez. Isaura  por sua vez, trazia consigo e há tempos, uma tristeza profunda disfarçada de indiferença. Adiantou-se e mostrou, 'Olhe quem está ali, Olavo?!' e seguiu em frente. Olhou para trás e viu quando o marido foi ao encontro de Edite. 'Nunca que eu soubesse que ele tinha tanto apreço por ela. Logo Olavo, que de tão estranho, vive de evitar as pessoas', pensou. Ao que parecia um hábito seu, diário, automático, seguir pelo caminho de sempre, pela rua lógica, aquela à sua frente, que formava um ângulo reto com a que seguia, e que a levava à sua casa, Isaura o contrariou e seguiu andando na mesma direção em que vinha. Talvez porque suas pernas a levassem, talvez porque a indiferença a tivesse distraído…

Do poeta Zé Paulo à sua poesia Memória da Flor

“(...) o poeta José Paulo vive em Pão de Açúcar, à beira do rio São Francisco, olhando todos os dias o curso do rio, conversando com a sua gente, sertaneja como ele, fonte de sua inspiração e razão da sua existência”. 

Na década de 1980, Zé Paulo cultivava um cabelo tipo black power, escrevia poemas e a cozinha de sua casa era o local onde reunia amigos para estudar e discutir o marxismo-leninismo. Sua mãe, dona Ubaldina, era uma mulher vigorosa, atenta às coisas do mundo e possuía um talento inquestionável para dizer suas verdades, misturando humor e sarcasmo. Em um desses encontros, ela me perguntou se de onde eu vinha, existia uma coisa chamada pente, porque "o seu amigo Zé Paulo precisa de um para pentear os cabelos". Do seu pai, Seu Otacílio, um homem reservado, a frase que até hoje guardo dele, quando uma vez, na sala de estar, se referiu aos tempos modernos: "O homem que casa nos dias de hoje está praticando pra corno". Foram-se os anos e ficaram as pétalas…

Monólogo ou talvez uma vã filosofia a Dirceu Fonseca

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"Não existe uma verdade cujo sujeito possa ser o seu detentor"
Você acredita mesmo, meu caríssimo Dirceu, meu locutor e interlocutor, emissor e meu receptor de tantos diletismos, em outros cenários paodeaçucarenses - mais plásticos e simbióticos -, que no espectro solar, a cor vermelha é signatária da corrupção e é também corruptora às outras cores?
E sobre aquelas pessoas que usaram a cor vermelha durante a campanha eleitoral, você acha mesmo que elas, ao usarem essa cor como símbolo do seu candidato, são todas elas corruptoras, meu respeitoso e inteligente filósofo?

Dentre todas as outras cores, que agora após as eleições, você vaticina: todos poderão usar, qual delas é signatária da arrogância? Qual a cor do ressentimento?
Sob o imenso manto azul que veste o nosso céu, e sobre o chão que a gente pisa, todos, sem exceção somos espectros solares. A vitória de um candidato não invalida opiniões contrárias, não significa que os interesses, diversos, que agregou a maioria sejam o…

Salve Salve Pão de Açúcar, salve a terra da cultura... E viva a prefeitura!

O povo vota. A maioria elege
Li sobre a entrevista concedida pelo prefeito eleito Jorge Dantas, hoje pela manhã, a José Vicente, da rádio Jaciobá. Nela ele sinaliza suas disposições e seu plano de governo. Acredito que o momento seguinte para todos os eleitores da Onda Azul e do Mar Vermelho é acompanhar e conhecer o conteúdo do plano gestor de Jorge. Vencedores e vencidos nesta “batalha eleitoral”, estamos às portas da futura administração. 
É da obrigação de todos, é da responsabilidade de todos, e deve ser causa e efeito ao nosso interesse, para aquilo que vem adiante, porque saídos todos do período de campanha, entraremos em janeiro/2013 em outro contexto. Aos que escolheram votar em Jorge, a responsabilidade não é menor. 
Ao contrário, deve ser ainda maior, porque o que se deve comprovar na prática, é que o candidato eleito pela maioria tem realmente compromisso com essa maioria que o escolheu.Em nome dela e para mostrar que seus oponentes estão enganados, Jorge precisa executar açõ…

Em quem você vai votar???

A imparcialidade não existe. Ser imparcial diante do que se coloca como escolha na vida em sociedade significa: Que não sacrifica a sua opinião à própria conveniência, nem às de outrem, segundo Aurélio Séc.XXI. Ser imparcial suporia uma despretensão que nós meros humanos não temos.
Existem ofertas e existe a possibilidade de escolha diante delas. Em um processo eleitoral, onde dois candidatos são ofertados aos eleitores, como é o caso de Pão de Açúcar, é feliz quem tem a convicção pessoal de quem é o melhor. Nesta eleição, eu já expus meu pensamento aqui neste espaço virtual, o meu voto é estratégico. É um voto de protesto, porque eu não encontro em nenhum dos dois candidatos, qual o melhor para a minha cidade. 
Minha escolha na hora de votar é conscientemente parcial e não poderia ser diferente. Mas os motivos para a minha parcialidade nascem da imparcialidade interior, vinda das minhas certezas de mulher, cidadã pãodeaçucarense, de pessoa consciente, politizada, graças a Deus. São as…

Eu já contei?

Eu disse ao rapaz que ele chamasse Zé Raimundo, o taxista que é meu amigo, e você sabe de quem estou falando, não sabe, rapaz? -'Sei, garota'. O menino levou o carrinho até a porta do supermercado, todo apressado pra desocupar e pegar outro carrego, porque eu me vexo pra dar a gorjeta antes do tempo. Como é seu nome mesmo? Isnaldo. O primeiro táxi que chegou ele foi logo dizendo: é o da senhora, chegou, 'óia'.  Não era ele não. Raiva danada do funcionário sorridente, achando que ele havia chamado o taxista errado. Uma mulher que anda acompanhada de uma menopausa parecida com a minha, sabe o que é ter raiva. Uma dessa, grande e desmesurada, por uma coisinha tão besta. Oscilação do humor é uma gastura.  - Mas logo a senhora que parece que não tem tempo ruim, como pode?  - Podendo, Josi. A raiva é que nem como uma coceira, que a gente não pode coçar, porque nem sabe onde está coçando. Quer ver raiva? É quando me lembro da prima de Audálio. Muito importante, toda cheia de pro…

Jarbas Ferreira-Kandinsky e o pop-rock alagoano

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Tem muita gente que precisa ser conhecida no palco musical em Alagoas 

“Comecei a compor pra valer em 1990, com um pensamento mais sério e honesto, mas de um jeito simples, mas já pensando num trabalho mais bem elaborado no futuro. Eu fazia uma canção a cada seis meses. Eu não gostava da estrutura da música, destruía, e levava muito tempo pra construir outra, e assim era o meu jeito. Mostrar o meu trabalho em show viria a demorar muitos anos, por isso profissionalmente ainda é uma interrogação - prefiro ser um músico amador, sem experiência de palco” 

Interessada em trazer para o conhecimento do público e divulgar outros tantos talentosos artistas alagoanos, apresento hoje o cantor e compositor Jarbas Ferreira. Quem o conhece o seu trabalho que levante o dedo. Eu posso levantar, sim. O pop-rock é a sua proposta que soma a sua banda, à diversidade desse estilo no cenário musical alagoano, ainda que pouco conhecido pelo grande público. O grupo é formado por artistas que não passam desper…