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Sem precisar da lógica para entender afetos

O sol de hoje tá fraquinho. Aparece e desaparece. Olhei pela janela logo cedo, e me lembrei de Ciça, que nem sequer me avisou que ia gazear a faxina. Pois é, gazeou logo ontem quando eu achei de deixar uns quatro pratos sujos pra ela lavar. Me dei mal. Não gosto de lavar pratos. Uma vez Raulina me contou uma estória sobre ter ouvido alguém dizer por trás dela: 'lavando prato sempre'. Era uma voz de provocação saída do nada, sem dono. Ela também não gostava desse ofício chato, e eu reclamo sempre, que não aparece ninguém para elogiar um prato que a gente lava bem lavado. Não aparece. Ciça me deixou na mão, desligou o celular durante o dia todo de anteontem e de ontem, que era pra não ser incomodada. Eita, que mulherzinha cheia de astúcia, aquela. Outro dia peguei a danada mentindo descaradamente. Tava trabalhando aqui em casa e dizendo a alguém pelo telefone que estava no médico. Botei meus sentidos de molho e entendi que ela mente pra mim também. Por que teria que ser diferente...

A Ilusão da Eterna Juventude

Quando o medo de envelhecer se converte em fuga da realidade Ontem à noite assisti a um excelente filme de Woody Allen: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos . Neste ele apresenta, entre outros conflitos que estão no centro e na periferia da nossa existência, uma situação que a gente já está até cansada de ver na vida real: Maridos e mulheres de meia-idade, envolvidos com problemas de relacionamento, que espelham a decadência das relações de afeto, de convivência, contaminados pelos novos valores da sociedade moderna. Entre tantas questões, o filme nos leva a penetrar no medo do envelhecimento, que a cada dia angustia a maioria das pessoas, de ambos os sexos. Quando tudo aponta para o moderno, no sentido de ‘novo’, é natural que as pessoas que envelhecem, generalizando, tenham verdadeiro pavor disso. Afinal, a imagem do velho está associada, hoje, à destituição do seu valor pessoal, social e produtivo. Ser velho é sinal de ser um peso para os outros. Nada há, além disso: a juventud...

Arte Primitiva Moderna em Santana do Ipanema

Um ensaio crítico sobre o trabalho de dois artistas sertanejos Sobre outras coisas que vi na feirinha da Economia Solidária é uma pena que eu não esteja conseguindo ilustrar o Ensaio Geral com fotografias, desde muito tempo. (Sempre que tento colocar alguma, acontece um problema). Hoje, gostaria de mostrar pelo menos dois dos quadros que vi expostos. São trabalhos de dois artistas: ambos sertanejos, com estilos e olhares bem distintos, sobre a realidade. Um dos artistas revela sua constante apreensão do cotidiano, em cenas que acontecem sobre cenários que estão sempre situados nas periferias, coisa bem típica das nossas cidades do interior. Suas cores são fortes, às vezes borradas, chapadas, são pintadas em telas, sobre desenhos livres, sem perspectiva aérea ou linear, sinais característicos da arte naif . Nelas, o artista apresenta o submundo marginal, denso e muitas vezes triste. Mulheres em prostituição, quase despidas, exibem seios flácidos, pele enrugada e acompanham homens não me...

Feirinha da Economia Solidária em Santana do Ipanema

O Projeto Nacional de Comercialização Solidária realiza feirinha na Praça Adelson Isaac de Miranda, no centro da cidade, desde ontem. Participam artesãos, artistas, agricultores e apicultores do interior do estado. Ao todo são dezoito barracas distribuídas ao lado da praça. Além de Santana do Ipanema, que sedia a feira, as cidades de: Atalaia, Pão de Açúcar, São José da Tapera, Palmeira dos Índios, Carneiros, Maravilha, Marechal Deodoro, marcam presença com a oferta de produtos feitos, na maioria, por grupos que se organizam na fabricação de peças artesanais. Girlene Leonardo Lopes, 29 anos, representa nesse evento, o seu grupo composto de oito artesãs, residentes em Atalaia. A sua barraca chama a atenção pela beleza das peças feitas com a fibra da bananeira. Os trabalhos se sobressaem pela delicadeza, textura e acabamento. São porta-jóias, garrafas, caixinhas e pequenos bibelôs. Para fazer esse tipo de artesanato, o trabalho para as mulheres começa no tratamento que dão às folhas da p...

Site FILMOLOGIA: Carta aberta ao público

Ministradores fazem balanço do Projeto de Oficinas de Cinema em Maceió Após a realização da última oficina de Cinema, semana passada, no Cine SESI Pajuçara, Ranieri Brandão e Ricardo Lessa, jornalistas e críticos de cinema, fazem carta aberta ao público no site Filmologia. Nela, corajosamente, questionam o que eles consideraram um fracasso: Desta vez a oficina de cinema não vingou. Sequer, segundo os ministradores, atingiu o ápice esperado: a participação do público, a sua permanência nos dias seguintes na sala de projeções do cinema. Com o mesmo empenho com que eu, particularmente, disponibilizei o espaço do Ensaio Geral para noticiar e divulgar a oficina (não por ser Ranieri Brandão, o meu filho, nem Ricardo Lessa, nosso amigo e colega de profissão, mas porque acredito na ideia de se debater cinema em Maceió), cedo novamente o espaço para trazer ao público a auto-crítica feita por eles. Rever o que foi feito, olhar sem medo para o que aconteceu e então, avaliar, assumir que o saldo ...

O que a catástrofe no Rio de Janeiro quer nos dizer?

A dolorosa resposta da Natureza Passei o dia de ontem assistindo a tragédia que acometeu a região serrana do Rio de Janeiro. É impressionante a quantidade de lama que soterrou casas, moradores, animais, plantas. Assim como impressiona a rapidez com que tudo acontece, mudando a realidade e a vida de centenas de pessoas. As imagens da desolação, tristeza, perda e do caos, nos enternece, nos machuca a todos. Junto com aquelas pessoas, seus rostos, seu sofrimento espelhado na amargura das suas falas, no embargo das suas vozes entrecortadas pela dor, todos nós, creio, cada qual a seu modo, recebemos a mensagem dessa catástrofe: Alguma coisa anda errada no relacionamento entre o mundo (Natureza) e o homem. Entre o homem e seus semelhantes, entre a Vida na Terra e a sua preservação, entre o Criador e a criatura. São colocações que buscam abranger o pensamento coletivo de uma forma mais extensa. Há os que pensam ecologicamente, politicamente, os que pensam humanisticamente, os que pensam a par...

Hoje é dia de oficina de cinema no Cine Sesi

Em debate o cinema de Martin Scorsese Começa hoje pela manhã e vai até sábado, das 10h às 12h, a quarta oficina de cinema no cine Sesi Pajuçara: A Anti-fantasia de Martin Scorsese. Os ministradores serão Ranieri Brandão e Ricardo Lessa. O objetivo das oficinas é promover a discussão sobre a arte cinematográfica e desenvolver junto com o público freqüentador, o pensamento sobre o cinema: pensante e pensado. As oficinas vêm acontecendo desde o ano passado e têm como público, geralmente, estudantes e universitários. O interesse dos jornalistas Brandão e Lessa é que esse público se expanda ainda mais, e que alcance outras pessoas e outras faixas etárias também. O debate sobre cinema é possível para todos. Em entrevista com os idealizadores, quando perguntei sobre como fidelizar e trabalhar o interesse do público, tive como resposta, a questão da imagem. A imagem como projeção. Como emissora, ao mesmo tempo em que receptora, da atenção do público, do seu amor pelo cinema. Talvez seja essa a...