quinta-feira, 11 de junho de 2009

EROS X RELACIONAMENTO

Dia dos namorados... Deixemos as compras e a efusividade de lado e observemos os casais e as suas expectativas. Nessa data, 12 de junho, Cupido, o deus mais antigo do Olimpo, e, paradoxalmente, o mais menino de todos os deuses, é reverenciado. Com ele, reproduz-se a ilusão do amor romântico. Aquele amor, tal qual Shakespeare, à moda da literatura romântica ocidental, fez-nos desejosos de viver, como em Romeu e Julieta. Quem não conhece a história de amor entre os dois apaixonados da cidade de Verona, na Itália? Pois bem. Aí paramos nós, os que nos envolvemos, coletivamente, na "apaixonante" idéia do amor.
O dia dos namorados é uma boa ocasião para refletirmos sobre a espécie de amor que buscamos. Que tipo de relacionamento queremos e julgamos precisar. Precisamos, acho até, que urgentemente, atentarmos para o fato de que o amor, assim, romântico, perfeito e certinho, e tão procurado, não está dando certo. Na verdade, o modelo coletivo do amor, é inalcançável. Estamos procurando um deus ou uma deusa, ( não um ser humano), que carregue para nós a nossa própria responsabilidade de ser feliz. A paixão é um estado supra-humano. Quando estamos envolvidos nele, nos transportamos para "outra dimensão". É tudo muito mágico e ilusório. Mas, como seres humanos que somos, não podemos sustentar essa dimensão divina. Mais cedo ou mais tarde, as ilusões se desvanecem.
Descobrimos, frustrados, que o outro não passa de um ser humano, e por isso, limitado. Pior. Não conseguimos ver a nós mesmos, como pessoas que também têm limites. Não conseguimos sequer aceitar a idéia de que projetamos na pessoa do outro, os pressupostos da nossa própria busca de realização pessoal. Estamos sempre culpando os outros por não realizarem por nós, o que a nós mesmos compete. Isso não quer dizer que não precisamos ser amados. Mas ao procurarmos sair das limitações e projeções que nos mantém presos à unilateralidade da idéia de amor, é possível que alarguemos o horizonte dos relacionamentos. É preciso, sobretudo, que tenhamos a coragem de admitir, que o amor possível de ser alcançado, é o amor humano.
O amor que não sobrecarrega o outro, mas que é parte do crescimento em nós mesmos. Acontece, não como uma intrusão de apaixonamentos, mas como um exercício contínuo de afetividade que nos amadurece. É percebermos que as flechas de Eros/Cupido nos atingem, como um primeiríssimo passo para o encontro de outra pessoa, mas, daí em diante, o trabalho de construir o amor, e o amor humano, é nosso. E, como diz uma amiga, "pasmem": descobrir quem somos, é a melhor maneira de aceitar o outro, assim como ele é. A medida que nos capacita ao exercício do amor, é aquela que aponta para a nossa capacidade de amar a nós mesmos. Sem precisar que o outro diga quem somos.

2 comentários:

  1. Continuo sendo seu fã. Vc é a mulher das sete ciências... Voltando ao texto, tempos atrás andei analisando tudo o que ve defende a partir da seguinte frase: Amar a Deus sobre todas coisas e ao próximo "como a si mesmo". O problema é que damos mais atenção ao que reza no ínicio da Lei e ignoramos o "segredo" que consta do final. Amar a Deus e ao próximo e esquecemos todo esse processo começa em nós mesmos.E estou falando de todos os tipos de amores... Ou seja, primeiro devo me amar para depois amar o outro. É um desafio para a vida toda! Assim, quanto mais me conheço, mais me amo e mais vou amar o outro porque nosso gesto de entrega é uma consequência e necessidade de viver em sociedade. Precisamos do outro para realizar afetos, porém sem designar a responsabilidade do sucesso ou fracasso a outrém. É exclusivamente e indelegavelmente nossa a missão de amar a si mesmo e, por consequência, o "outro".

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  2. "Descobrimos, frustrados, que o outro não passa de um ser humano, e por isso, limitado."
    Esse é mesmo um dos maiores desafios... E mais ainda nos descobrirmos limitados, realmente.
    Não só no que se refere ao amor.
    :)

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