sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ruído

O dizer transborda-me,
E estilhaça o diálogo em conjugações verbais desiludidas.
Uma por uma, sigo juntando-as,
para ousá-las de novo,
usando pretérito amoroso.

Mas, a audição é surda,
E não me sabe ler nos lábios,

o intento sublimado
No presente, falo em idioma morto.
Não ser entendida é quase um desespero,

E dizer o que estou sentindo,
mais parece um desperdício

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Às Parcas


Fio a linha sobre a qual trilharei a minha andança.
E principio meu malabarismo, 
sobre e entre dois pontos imaginários,
Neles, trafego meus passos, pé ante pé na teia da vida,
À distância que nunca me sabe, nem eu a sei.
Distribuo a cada parte de mim, 
à parte que me caiba a alma: Partida e chegada, 

Vou às coisas que desfazem o seguimento de pontos, 
à evidentes certezas de que pontos formam retas.
Viver é  como andar sobre invisíveis aritméticas:
As que sabem fiar a vida, as que a distribuem e as que se  
nos partem o fio, onde suspensos por uma corda bamba, nos despreendemos, aventurados, a atravessar a existência.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O coco abre a roda para o espetáculo Pros Pés de Jurandir Bozo



 Com a palavra: Jurandir Bozo artista popular alagoano que sobe ao palco do Teatro Deodoro, hoje à noite, para apresentar o seu espetáculo: Pros Pés. Bozo comemora os seus 15 anos de carreira. O show abordará os trupés tradicionais - que no dicionário informal é sinônimo de barulho, bagunça -, a musica popular mais contemporânea  dentro do universo da cultura alagoana, sem perder sua essência, característica sempre presente em seus trabalhos. Desta vez ele promete abrir espaços apresentando os meninos que estão dançando o coco atualmente, dentro de uma perspectiva que os engaja como feitores e propagadores do coco de roda, longe da rivalidade dos concursos. É um espetáculo genuíno que se volta às tradições e que busca agregar outras leituras à identidade cultural alagoana





1_A discussão levantada a partir do seu texto: Universo da cultura popular em Alagoas, publicado em sua coluna, no site Alagoanos, Sobretudo Cultura (www.alagoanos.com.br) surge no momento em que está em discussão, também, termos como folclore e folguedo. O folguedo remete à brincadeira lúdica, genuína, onde a presença dos brincantes e a assistência das pessoas acontecem de forma espontânea. Para você o pagamento de cachês aos grupos que se apresentam é uma forma saudável de mantê-los atuantes ou ajuda a torná-los em vez disso, peças de um espetáculo, distantes ainda mais da identidade cultural que lhes deu origem?



Não temos mais como voltarmos no tempo, e tampouco em redefinir as prioridades desse mundo. Temos que entender ou assimilar essa nova estética de valores mesmo, mas sem perder a essência.



Não vejo problemas em se tratar alguém que faz algo com extremo potencial artístico e beleza artística como artista, e ser pago por isso é apenas se fazer justiça a tal talento, como tantos outros artistas que assim recebem, desmerecia em que a manifestação se um mestre ou seu grupo recebe para dançar? Será que essas comunidades que abrigam seus grupos conseguirão ser hoje, o que foram há 30 anos atrás?



Como esse jovem se relaciona com o mestre? Tem que dar visibilidade a esse mestre sim, e com olhos de encanto e de admiração. Fica mais fácil o diálogo, se esse mestre tem seu cd, se faz apresentações legais e seu grupo está com o figurino bem elaborado, esse jovem vai participar e vai querer estar ali. Mas como fazem hoje eu acho complicado. Tantos editais e não vejo as entidades que defendem esses mestres entrarem em nenhum... Aí complica...



A ASFOPAL mesmo tem 25 anos, e quando vamos ver não formou um mestre se quer para ser o presidente... Poxa. Associação de pescadores tem um pescador na presidência, a de agricultor tem um lá, sendo uma liderança. Será que em 25 anos não se teve como trabalhar uma ação voltada à protagonização e articulação de lideranças com esses mestres? Acho isso complicado... 



2_ Estamos falando sobre a preservação das manifestações culturais alagoanas. Nesse contexto é relevante identificar, primeiro, talvez o nosso principal problema, que seria o que determinou a quase total ausência da prática do folguedo, que tinha como característica, a brincadeira. A morte de mestres suscita a preocupação por parte daqueles que estão empenhados com a cultura popular: quem transmitirá o conhecimento acumulado por eles às futuras gerações e em que se alicerçará a transmissão? 



Essa é uma questão que me preocupa há certo tempo já, inclusive, produzi um espetáculo chamado "O que vem depois dos Mestres?", nele, estavam artistas que bebiam da cultura popular e a abordava de forma contemporânea.  



Tinha um projeto, na coordenação de cultura da Secretaria de Educação, que levava os mestres às escolas e lá se montava pequenos grupos e tal, era uma forma legal de socializar os folguedos com os alunos, pena que não tinha grande visibilidade, o lado bom desse projeto é que não era só o mestre, a cultura popular, era professor de teatro, música, dança...



A comunidade se enxergava como algo legal, e se valorizava. Assim fica mais fácil para o mestre desempenhar seu papel e atingir o público sem preconceitos dos mais jovens. O governo Téo Vilela acabou com o projeto que se chamava agente cultural, se não me engano. Era uma ação massa, que precisava de mais atenção do governo. Só os coordenadores se doavam. No mais, do secretário ao governador, não havia interesse. Era o que transparecia.



Outras questões inviabilizam, e são corriqueiras, em nosso Estado: o amadorismo dos gestores que caem de pára-quedas em trincheiras culturais e a falta de articulação política da classe artística... Mas tem exemplos positivos, aqui mesmo, de articulações culturais que dão certo.



O exemplo do Maracatu Baque Alagoano e do Coletivo Afro Caeté... Hoje ambos têm ações que trabalham a propagação de seus respectivos nomes, oficinas, apresentações em universidades e etc. Muitos jovens e outros nem tão jovens assim, vão às oficinas e participam dos grupos. Para isso é preciso divulgação e trabalhar de forma mais profissional a nossa cultura popular, pensar nela como um produto que precisar atingir um público e ser consumido.



Hoje o marketing é muito importante e extremamente necessário, tem que se ter gente para pensar nessas coisas com frieza, e aí deixar a paixão com quem faz a festa, que são os mestres e os seus brincantes.



3_ O surgimento de novas maneiras de dançar o Coco ou de apresentar o Boi, por exemplo, supõe que cada geração ocupa os espaços culturais se utilizando de expressões artísticas que vão agregando ao conhecido, novos elementos. Como você vê o fato de que expressões estranhas à nossa cultura tenham sido introduzidas em nossos folguedos? Será que está aí, um dos problemas acerca da estilização, daquilo que era original e autêntico?



Creio que essa sua pergunta foi a mais feliz, das tantas que venho respondendo nesses anos todos... SIM! É fato e não tem o que se justificar sobre a estética de uma modernidade vazia que os grupos atuais vinham propagando... Mas a minha provocação é anterior, não ao tempo, mas sim ao fato, porque ninguém chegou para trabalhar esses meninos, falo meninos porque hoje convivo com eles e temos dialogado e eles me escutam, assim como tenho escutado eles, e eles aprendem e nós aprendemos também.



Nilton que é o marcador do coco de roda no Jacintinho. Era o coco de roda que mais estilizava dentre os tantos cocos. Com 26 anos, ele tem 11, só de Xique-Xique. É um dos mais velhos que organizam o coco da atualidade. Foi presidente fundador da liga dos grupos de coco de roda. Segundo ele, tem menos de dois anos que ouviu falar no nome do Mestre Verdelinho.



Foi o primeiro a por num concurso de coco os trupés tradicionais do pagode, pela primeira vez um coco de roda (estilizado) se apresentou em um concurso com passos do coco tradicional e seguindo a uma estética coreográfica condizente à proposta, voltada as tradições.



Daí, muitos outros cocos começaram a fazer o mesmo, num processo em cadeia. Fantástico! O ponto negativo é que muitos dos cocos começaram a se utilizar apenas dos trupés, sem ter o mínimo conhecimento de onde e nem como utilizá-los ou para que ele era usado. Mas é um mal bem menor ao de não conhecê-los.



O 40 arrebatido, um cavalo manco, um chipapa, hoje, quase todo dançarino de coco sabe fazer, além de estarem descobrindo a importância dos mestres e da cultura popular tradicional. Demétrios Paulino (dançarino do coco Xique Xique), que vai estar em meu grupo nesse projeto, em dez anos de coco, sempre quis conhecer os trupés dos mestres e não encontrava onde aprender. (Ele é uma exceção).





Reis do Cangaço, Rosas de Saron, o  Xique Xique, o Pau de Arara, Novos Tempos, Renasce, tenho conversado com muitos coordenadores de cocos de roda. O coco está em um momento singular de redefinição de estética e busca de um diálogo que estava perdido entre a atualidade e a tradição.



Os bois é outra coisa. O que se sabe é que ele se tornou uma variante do Bumba-meu-boi. Quando isso aconteceu e por quê?.Tem bem menos publicações voltadas ao tema, e a falta disso já é algo que complica uma relação com as tradições, na verdade desconheço uma publicação específica que trate do boi alagoano. Ele precisa de um trabalho mais arrojado: estudos, definições e publicações que fundamentem pesquisas e definam características de identidade cultural.



A assimilação de expressões estranhas nessas manifestações, eu creio, já foi mais excessivo. As canções das modas que eram cantadas nos bois e cocos, não estamos mais vendo tais "delitos" culturais (rs). A grande questão é dialogar com esses segmentos que têm uma grande penetração em suas comunidades e assim mediar algo que seja legal para eles e para a perpetuação de nossa cultura.



Não sou acadêmico, e por isso não estou fazendo pesquisa e nem tenho bolsa de qualquer universidade, também não aprovei projetos para justificar algum ganho nessa historia toda. Faço, acredite quem quiser, porque gosto, porque essa é minha vida e adoro fazer. Mas se querem acreditar que faço por dinheiro não posso fazer nada.



Agora, que busco uma cena profissional, eu busco. Quero ver sim, e se preciso for ajudarei aos cocos, participando de editais, os mestres ganhando grana, e ganhando grana com suas apresentações, mas também quero ver esses meninos sabendo o que são e o que representam, não só eles, mas a manifestação que eles defendem. 



4_A ideia do novo, como característica trazida pela modernidade, em muitas ocasiões, tem evocado o fim das referências tradicionais. Nesse aspecto entra a questão da cultura de massa, como proposta que transforma tudo em produto de consumo, inclusive os folguedos populares. Como sensibilizar a alma alagoana, no sentido de recapturar a identidade popular e de cultura da nossa gente, para a sua valorização e pertença? Aonde foi que negligenciamos os conteúdos da nossa alegria e brincadeira?



Negar a cultura de massa ou achar que buscando identidade cultural alagoana estaríamos livres dela é algo utópico. Um exemplo positivo mesmo que é Pernambuco, na grande festa da lavadeira ou até mesmo no carnaval, tem as manifestações tradicionais, como tem shows e apresentações de diversos segmentos da modernidade, temos é que encontrar nossa fórmula, esse "problema" não é só nosso. Não podemos é confundir respeito com subserviência. 



Temos posto em evidência, características de uma alagoanidade dos latifundiários e da elite da cana. Não devemos negar que a cana tem seus benefícios, mas não podemos deixar de enxergar que em nosso Estado, ainda convivemos com as políticas dos currais. Vejam as regiões e as liguem a um político e aÍ vocês vão entender o que falo...



Temos que ver os Mestres como eles eram antes, líderes comunitários, e muitas vezes servindo a forças que não traziam bem para o povo, pois quem mantinha as brincadeiras em alguns casos eram os grandes fazendeiros ou políticos e isso sendo feito quase sempre a critério de favores.



Talvez hoje tenhamos que trabalhar para buscarmos uma cultura popular politizada e articulada, capaz de se articular e superar os entraves da modernidade vazia, pois ser moderno não é o problema, mas sim, como se chega nessa modernidade ou como se busca a mesma. Será que consegui responder? 



5_Grosso modo estamos diante de situações que expõem a realidade da cultura popular alagoana: a manutenção dos que trabalham com arte genuína, as intercorrências do novo, ou seja; sua agregação tendo como referência os folguedos tradicionais e os problemas que envolvem a preservação das manifestações culturais, como locais da expressão da alma alagoana. Você acha que é possível a conciliação positiva entre os que pensam e amam de diferentes pontos de vista, a cultura popular, hoje, em Alagoas? 



RS...



Acredito sim... Talvez não agora, mas em m curto espaço de tempo. Eu queria expor a problemática e assim com a polêmica se falar sobre o assunto e veja o que está acontecendo... rs



Não adianta só a lei que dá aos mestres uma bolsa para que o mesmo possa continuar passando seus conhecimentos e mantendo a cultura viva. Se ainda partilharmos que ela (a cultura popular) tem que ficar escanteada ou sendo tratada como segmento de segundo gênero. “Ah! é cultura popular... aí se cola porque tem que preservar o bichinho do mestre..." Esse discurso de coitadinho não funciona mais.



Temos que estar preparados e preparar esses mestres com seus grupos para estarem onde estiveram se apresentando por merecimento e talento, que é o que eles, mais têm e não porque é importante pra preservação ou porque tem que ser feito algo em prol de...



Lógico que é preciso preservar, lógico que tem muitas coisas que ainda partilham de um traço quase assistencialista, mas temos que procurar dar uma maior visibilidade à cultura e fazer dela o que ela é ou já foi, algo legal pra se divertir e brincar dançando e cantando. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Primavera chega ao Museu Palácio Floriano Peixoto: nas imagens das águas, a memória margeada de flores da poesia alagoana


O evento, com boa programação, acontece até dia 25, no próprio museu, antigo Palácio do Governo


Foto: Goretti Brandão
A 5ª Primavera dos Museus, que teve início na noite de ontem e segue até dia 25 deste mês, trouxe em sua abertura, a exposição: Memória das Águas, do repórter fotográfico Pablo de Luca. 

As imagens colhidas pela lente e a sensibilidade do autor, conversam com a poesia alagoana. José Márcio Passos, diretor do MUPA, Museu Palácio Floriano Peixoto, desde abril deste ano, é o responsável em trazer para o público as flores da reciprocidade entre as duas manifestações artísticas. É com ele que converso.

_Ensaio Geral: Como surgiu a ideia para a criação da primavera dos museus?
_R: É uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC). Tem como objetivo sensibilizar os museus e a comunidade para o debate sobre temas da atualidade.

_Ensaio Geral: A que público se destina a 5ª Primavera dos Museus?
_R: O público a que se destina esta ação são pessoas e grupos que têm interesse no tema do evento deste ano: “Mulheres, Museus e Memórias”. Estudantes, artistas, professores, etc.

_Ensaio Geral: Para a abertura do evento, a exposição fotográfica de Pablo de Luca, ilustrado com poesias de poetas alagoanos, seria a busca da transversalidade entre as interfaces da memória?
_R: A emoção é a principal busca desta união entre as imagens fotográficas e a poesia. É claro que cada uma delas tem a sua força. Entretanto, juntá-las, torna a busca pela emoção e o melhor entendimento mais significativa.

_Ensaio Geral: Tem surgido, felizmente, uma nova concepção de museu, onde se contextualiza, o papel social e educacional, baseado em ações inclusivas. O principal objetivo é possibilitar um diálogo entre o visitante e o patrimônio. O que está explícito e implícito no trabalho "Memória das Águas"?
_R: Um trabalho fotográfico com belos detalhes da vida, das alegrias e tristezas das pessoas que vivem do que as águas lhes oferecem. Uma técnica em preto e branco de grande sensibilidade. Imagens que inspiram poesia.
O que está implícito:
“O que vi e ouvi deixei impresso em imagens fotográficas”
Uma das atividades que é característica da região das lagoas e do litoral de Alagoas e que me chamou muito a atenção, é a pesca artesanal. O homem no meio da paisagem, em contato direto com a natureza e se servindo dela para seu sustento. Também a utilização de seus instrumentos de trabalho: velas, redes, currais, caiçaras, jangadas, canoas e embarcações em geral. Com todas suas formas e movimentos, com seu atrativo visual da coisa típica, tradicional que faz parte desta cultura, com uma simplicidade que só existe no Nordeste do Brasil.
Observei tudo aquilo e “fiquei incrível”...Então, não podia deixar de registrar, documentar, guardar na memória das imagens, para que com o tempo não se esqueçam como foi. E, quem observar, poder comparar, fazer alguma pesquisa ou estudo antropológico. Por esses motivos, me valendo da minha máquina e da minha profissão de foto jornalista, fotografei com meu olhar estrangeiro, com a intuição de um entusiasta, com alegria, com arte e poesia, mas principalmente com toda a cultura e sensibilidade que levo dentro de mim.
Pablo De Luca - Repórter Fotográfico

_Ensaio Geral: Observa-se que entre os museus e as imagens, sejam fotográficas ou cinematográficas, existe algo bastante comum: a necessidade da contação de histórias. Ambos são locais de construção de leituras e narrativas. _Quais os critérios utilizados para conciliar o olhar imagético de Pablo de Luca, à narrativização dos poetas?
_R: Esta conciliação, esta união, foi feita por mim durante uns 40 dias de “viagens” com as fotos e os poemas escolhidos. Variados sentimentos fizeram parte dos momentos da escolha, do casamento de cada foto com seu poema. Exemplifico alguns desses momentos:
-um barco parado à beira d’água, plácido, tranqüilo, fala que “o silencio tem suas audiências”.
-coqueiral em primeiro plano. Depois águas prateadas, paradas, esquecidas. E o poeta diz: “A lagoa ficou prata. A lagoa prateou. Não tem vida. Não tem brilho. Não é nada. A lagoa pranteou”.

_Ensaio Geral: Quais os poetas que ilustram a exposição fotográfica de Pablo de Luca?
_R: José Inácio Vieira de Melo, Judas Isgorogota, Anilda Leão, Chico Nunes das Alagoas, Paulo Renault, José Paulo da Silva Ferreira, Lucia Guiomar, Zé do Cavaquinho, Maurício de Macedo, Jorge de Lima, Arriete Vilela, Carlos Moliterno, Ledo Ivo, Goretti Brandão, Maria Beatriz Brandão Sá (Tizinha), Elizabeth Carvalho Nascimento, Ricardo Cabus, Sidney Wanderley e Fernando Fiúza

_Ensaio Geral: O museu, então, trabalha com a possibilidade de ser o mediador da aprendizagem para o público?
_R: Acho sim, que os museus podem e devem fazer o papel não só de mediador como de complementador da aprendizagem, fornecendo informações não obtidas nas escolas.

_Ensaio Geral: Ao estabelecer novas formas expositivas, você acredita que isso possibilite novas práticas discursivas e educativas?
_R: Desde quando estava à frente da direção do Museu da Imagem e do Som – MISA busco novas maneiras de expressão artística. O casamento da fotografia com a poesia vem desde 2008, quando fui o curador de uma exposição do fotógrafo Neno Canuto sobre a Infância nos Assentamentos. À época tive o apoio da professora Elaine Raposo que buscou os textos poéticos para juntar às fotos do Neno Canuto. Devo ter aprendido na ocasião a força dessas duas expressões artísticas, juntas. Sim, eu acredito que esse tipo de apresentação do trabalho artístico provoca novas práticas discursivas o que nos leva a uma melhora na educação.

_Ensaio Geral: Quais os novos projetos e planos para o MUPA?
_R: Meus planos são o de sempre guiar o Museu como um carro que embarca todas as manifestações artísticas e educativas possíveis. O que temos de fixo, parado: Coleção de obras do pintor Rosalvo Ribeiro, as pratarias e louças do antigo Palácio do Governo, o mobiliário deste mesmo Palácio, o espaço Ledo Ivo e o Memorial Aurélio Buarque de Holanda, além da especialíssima arquitetura do prédio, já está pronto, já existe, está guardado. Já é uma aula de história alagoana a visitação deste acervo.
Transformar o espaço do Museu num local vivo, pulsante, onde o aprendizado seja proporcionado continuamente, em especial ao público infantil.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pulsando na levada do coco

Por Assessoria
Dedeu (Bozo) e Wilbert Fialho
Espetáculo Pros Pés, de Jurandir Bozo, será apresentado no Teatro Deodoro é o Maior Barato desta quarta (21)

Dando continuidade à 12ª edição do projeto Teatro Deodoro é o Maior Barato, a Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (DITEAL) apresenta na próxima quarta (21) o espetáculo “Pros Pés”, do músico Jurandir Bozo, um dos maiores defensores e divulgadores da cultura popular alagoana, reconhecido em várias partes do país por entidades, artistas e mídia em geral. O espetáculo começa às 19h e os ingressos ainda podem ser encontrados na bilheteria do Teatro Deodoro a R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada).

Pros Pés
Talvez a maior característica das danças populares alagoanas sejam os trupés. Trupés do Guerreiro, do Coco, as pisadas das Marujadas, da Ciranda e do Baianal. A força rítmica e o vigor das manifestações populares conectadas ao solo com paixão e criatividade fazem um som único que envolve e fascina levantando poeira, assentando barro, pisando o chão.

Pros Pés, é um espetáculo singelo e ousado concebido pelo artista popular Jurandir Bozo, com músicas, em sua maioria, autorais, o artista canta também algumas canções de tradição oral, e aborda em seus arranjos as manifestações da cultura popular na sua forma mais tradicional, mas numa linguagem contemporânea, levando pros pés toda força da cultura popular junto às subjetivas e ousadas nuanças da modernidade, e Trupés tradicionais como Cavalo Manco, Chipapa, Quarenta Arrebatido, e tantos outros passos das danças populares das alagoas sendo colocados numa estética atual da percussão corporal.

Além da beleza e força dos Trupés, o artista levará para o palco a beleza dos desafios de coco e suas cantigas, com as melodias mais elaboradas onde a sofisticação e a simplicidade se fundem, e para isso Bozo convidou alguns amigos para comemorar seus quinze anos de sua carreira, convidados que abrilhantarão ainda mais o show. 

Vem do bairro do Jacintinho os Cocos de Roda, Xique-Xique, Novos Tempos e Reis do Cangaço, e da Pitanguinha o Coco de Roda Pau-de-Arara, além dos grupos de coco, estarão presentes nomes como: Beto Brito, Eliezer Setton (numa homenagem a Tororó do Rojão), Josenildo de Assis (filho do mestre Verdelinho, que vem para fazer alguns trupes e mostrar o coco de raiz), Fagner Dübrown, Wagner Chaves (Flautista), Wilbert Fialho e Tido Morais (Violonista e percussionista que integravam a extinta banda Poeira Nordestina).

Jurandir Bozo compartilhará o palco com: Arnaud Borges (Violão), Kaw Lima (Violão e Viola de Arco), Samia Miranda (vocal, Caxixi, Ganzá e Trupes), Mirna Araujo (Vocal, Ganzá e Trupes), Fernanda Fazanarro (Vocal, Pandeiro e Trupes), Demétrius Paulino (Vocal, Ganzá e Trupes) Alex Brito (Percussão), Jonatas e Jeferson (Percussão).

Um espetáculo Pros Pés, para os ouvidos, para os olhos e, principalmente, para o coração, pulsando na levada do coco.

Serviço:
Teatro Deodoro é o Maior Barato 12ª edição
Teatro Deodoro
Espetáculo “Pros Pés”
Jurandir Bozo
Quarta, 21 de setembro
19h
Ingressos: R$ 5,00 (meia) e R$ 10,00 (inteira)
Informações: (82) 3315-5665 / 5656
www.teatrodeodoro.al.gov.br
ascomteatro.blogspot.com
Apoio: Instituto Zumbi dos Palmares
Realização: Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (DITEAL)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Tirinha: Humana, demasiada humana

Desenho: Goretti Brandão
Clicar na imagem para melhor visualização

Anadia: Por que resolver diferenças à bala?

Resolver diferenças apagando vidas, principalmente às de ordem política, acontece desde tempos imemoráveis, próximo até do que se pode chamar de expediente usual. Basta vermos os assassinatos épicos no Senado Romano e no antigo Egito, só para ilustração. A eliminação de oponentes parece ser o caminho mais rápido para quem deseja desobstruir caminhos, esconder falhas e manter-se, sem empecilhos, onde se acha de direito. A meu ver, atitudes e ações desta natureza, revelam da parte de quem as pratica, uma conduta absurdamente egocêntrica, sustentada pela falta de ética, moral e respeito por aqueles que, por divergências, venham a ameaçar seus privilégios ou intenções.

A maneira em como é escolhido o ‘afastamento’ do caminho para quem se torna uma preocupação ameaçadora para tais pessoas, é, sobretudo, covarde. Elimina-se alguém, que de algum modo, coloca aquele que se sente coagido, diante da possibilidade de ter que enfrentar as conseqüências de seus próprios atos. Há casos conhecidos, onde pessoas que contraem dívidas deixam de pagá-las e ao serem pressionadas, resolvem dar cabo do problema, eliminando o credor.

Estupros levam, na maioria das vezes, ao assassinato das vítimas por parte dos estupradores, como ‘solução’ para se esconderem e aos seus atos. Nesse sentido, todos os dispositivos utilizados têm os mesmo desfechos, fatais, sempre com o mesmo objetivo. Em todas as ações criminosas dessa natureza, a necessidade de calar outrem, para que alguém se livre de ter que encarar o que fez ou está fazendo de errado, é parte crucial do contexto.

Egocentrismo que reproduz o desejo infantilizado de recorrer à supressão daquilo que é incômodo, indesejável e que vai frustrar os meus intentos, além de revelar situações, onde a exposição aos outros, daquilo de que sou capaz é inevitável. Por isso priva-se o outro - que tem, direta ou indiretamente, a posse do que o coloca em situação de risco -, do direito à vida, na tentativa de ‘salvar-se’ a si mesmo.

As circunstâncias que envolvem o assassinato do vereador de Anadia, o médico Luiz Ferreira, soma mais um caso com essas características, onde as averiguações iniciais apontam para um crime de caráter político e, ao que parece, levantam suspeitas, a partir de denúncias, de irregularidades na administração da prefeita da cidade.

O protótipo do poder emana forças poderosas e irresistíveis. Disto, a gente pode sempre ter a certeza, ao assistirmos o que as pessoas são capazes de fazer para permanecerem girando em sua órbita.
 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vontade de escrever, somente...


Tarde indo embora. Hoje o dia está mais pras imagens. Quando pinto não consigo escrever e quando escrevo não consigo pintar. Mas sinto vontade de brincar com as palavras. Adoro as palavras, e arrumá-las em qualquer sentido ou direção, desde que criem algo, já me dá uma enorme satisfação. 

Quando escrevo, falo a mim mesma, de dentro pra fora. Fico me escutando. Daí, as soluções vão surgindo, quando o assunto é problema. Quando não, minhas idéias, desorganizadas, se organizam, e eu consigo conciliar aquilo que é impetuoso e quase hiperativo, que fica martelando em minha cabeça, com o desenrolar do meu cotidiano.


Descobri, enfim, o que já desconfiava: que fazer cartoon é muito bom e que a tirinha é que nem poema: você encurta e sintetiza incertezas, questionamentos, humor; um universo de sentimentos, seus e das outras pessoas. Desenho simplificado que simplifica as grandes questões existenciais.


O sol está se pondo e as sombras desceram sobre a cidade. Seria essa a ocasião da fusão dos opostos? Nem dia, nem noite. Uma realidade que acontece entre duas outras e que não pode mais ser chamada de tarde. O instante é neutro. 

Esses momentos me rondam como um gato que se enrosca nas pernas da gente. Transmitem uma paz, que é quase, e uma angústia, que também é quase. 

Tudo bem meio termo. É como um caminho, uma possibilidade que se imiscui por entre a passagem de uma condição entre o que era e deixou de ser e o que está para vir. 

Talvez um vácuo; coisa sem nome, e que eu aproveito para encher com palavras.


O dia de hoje está terminando bem...