Diante de mim deitam-se meus sentidos quase esquecidos da palavra. Às vezes eu dispenso letras e viajo para o paraíso das formas e das cores. Se há como ter falado é através de gestuais, tritura papéis, mexe goma e cria estruturas, que falam sobre esse meu desejo de tornar em poesia palpável, o que possa traduzir o que significa estar aqui. A arte trafega sobre um momento eterno de tensão onde uma cortina quase transparente ameaça romper-se. Está a um passo de esgarçar-se e resolver o paradoxo, a luta dos opostos, a aparente falta de nexo, que induz à certeza do excesso. Aquilo que suponho ser a minha criação é como um traço que se quer em linha reta, mas uma mão que não é a minha, a conduz a cortar no papelão duro outra criação. Mais bonita, muito mais do que eu pensei. Que mistério eu sou nas mãos que me modelaram...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Com quase sessenta

PELO LABIRINTO DE ODETE

LUCUBRAÇÕES DE VIOLETA