Postagens

Às três da tarde

Imagem
Além, do que além não sei dizer, nem como, nem o que é. Mas a sua existência perturba-me. Transito entre dilemas  e violetas sonoridades. Entre a pracinha e a igreja de Santa Rita. Entre o Farol e as lagoas Mundaú e Manguaba. Igual como pelejo com a palavra “cafumango”  que entrou na minha cabeça e não quer sair, E com a tarde, rascunhando em mim, pequenos versos, dispersos e inquietantes. (Como bichos-de-pé, coçam-me à vontade do amor. Agora, e último). Inflama, infecta minha alma, perde-me! Meu fio de voltar preso à cintura, é referência mitológica à beleza do verso. É pura vaidade egóica,  disfarçada  em escrita bangalafumenga: Essa palavra que encontrei procurando outra. Em poética chinfrim, adulterada, incapaz de enganar minhas tolices. Eu sou uma joão-ninguém,  dona de singelas pobrezas. Meu coração tem os bolsos furados. Escapam-me por eles, os tesouros que talvez sejam. Ou que estejam para sê-los. É como um doido o meu cor...

Madrepérola para adornar saudades

Imagem
Nossa Senhora do Rosário O tecido do vestido para a minha Primeira Comunhão, o terço de pérolas, a vela e o livrinho de orações - o missal -, vieram do Rio de Janeiro. Minha mãe andava de um canto a outro dentro de casa fazendo anúncio, que ela nunca foi de fazer média fora dela ‘o livrinho tem a capa de madrepérola’. Foi a primeira vez que ouvi o nome “madrepérola”. Fiquei curiosa e encantada só de ver a satisfação dela, encher-se por convencida vaidade dizendo aquilo. Novidade. Eu adorava uma. E aquela que introduzia no meu vocabulário tal palavra, era como coisa do outro mundo. Aquilo era muito bem vindo. Era coisa fina. A palavra sempre me manteve junto a si. Tia Palmyra Tia Palmira comprou tudo por lá. Teria sido na Ilha do Governador? E enviou pelo Correio. Era um presente. Pacote registrado. Uma demora pra chegar. Naquele período que antecedeu o acontecimento, os assuntos iam e vinham e findavam alongados acompanhando-nos à costumeira prosa na calçada de casa e ade...

Sagrados, como o fogo de Prometeu

Imagem
O lírio eucarístico veio da casa da minha infância, assim como vieram estórias que se tornaram história e que guardo até hoje. Minha avó materna tinha o dom, aquela coisa mágica, de não deixar nada morrer, de trazer o passado para o presente. Convivia-se com a maravilhosa presença dos que moravam distante, dos que haviam partido desta para outra melhor e daqueles, digamos, "bem antepassados". Todos eram alimentados por passagens contadas por ela, minuciosamente, onde antigos diálogos eram revividos – os que presenciara e outros, que sabia de ouvir dizer pela sua mãe -, sobre tipos físicos, as idiossincrasias, as opiniões de cada um, as atitudes e reações diante dos fatos da vida, suas maneiras e gestos. A recorrência neste caso é uma dádiva, quase e por vezes mesmo poética e fantasiosa, que torna heróis e heroínas nossos familiares.  Traziam-nos, pois, no dia a dia e para estar conosco nas comemorações da Semana Santa, nas celebrações do mês Mariano, nas festividade...

Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

Poesia

Vizinhos Minha mãe e eu percorremos casa por casa, trazendo seus mortos às portas. A rua é velha e a mesma. Os que morreram estão distraídos e conversam, atuando vida. Das três moiras, nós duas, fiamos e tecemos à ilusão, findos destinos tardios. Contando-os às dezenas. Deitadas em nossas camas, Eu e minha mãe vemos juntas, as lúgubres fileiras Enchendo as calçadas. Ei-los, os quais evocamos, Negando os fios que Átropos cortou.

Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

Mais uma matéria oriunda do sertão alagoano, publicada pelo Campus/O DIA. Desta feita quem a assina é a escritora santanense Lúcia Nobre. Vale conferir! LEIA! DIVULGUE! COMPARTILHE! Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

O que poderia ter sido

Imagem
Alzira me contou como o havia conhecido e lembrava bem como foi. Era um homem atraente. Avistara-o de longe, conversando animado em uma roda de amigos.  Naquela confluência de ruas no bairro de Jaraguá, nas imediações do Bar da Zefinha, acontecia o lançamento de um livro. Tinham ido para o mesmo evento. A memória a enganava?  Não. Os olhares se cruzaram. Lembrava bem que tendo passado pertinho dele e estando a alguns passos adiante, ouvi-o perguntar a alguém ‘quem é essa?’. Faz muito tempo. Muitos anos. Nem posso dizer que o conheci, Violeta. Eu o vi. Conhecia só de ouvir falar. Um homem tão festejado, não era para menos. Quando penso naquele dia, a minha vida desdobra até não poder mais. Fico imaginando que outro futuro teria saído daquela noite. Uma intercorrência que poderia ter mudado o meu percurso no mundo, ou então, descarte-se tudo, a ver que tudo não passa de hipotética ilusão. Vem daquilo de a pessoa achar que a vida que tem ainda é pouco. Um excesso de abs...