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Madrepérola para adornar saudades

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O tecido do vestido para a minha Primeira Comunhão, o terço de pérolas, a vela e o livrinho de orações - o missal -, vieram do Rio de Janeiro. Minha mãe andava de um canto a outro dentro de casa fazendo anúncio, que ela nunca foi de fazer média fora dela ‘o livrinho tem a capa de madrepérola’. Foi a primeira vez que ouvi o nome “madrepérola”. Fiquei curiosa e encantada só de ver a satisfação dela, encher-se por convencida vaidade dizendo aquilo. Novidade. Eu adorava uma. E aquela que introduzia no meu vocabulário tal palavra, era como coisa do outro mundo. Aquilo era muito bem vindo. Era coisa fina. A palavra sempre me manteve junto a si.
Tia Palmira comprou tudo por lá. Teria sido na Ilha do Governador? E enviou pelo Correio. Era um presente. Pacote registrado. Uma demora pra chegar. Naquele período que antecedeu o acontecimento, os assuntos iam e vinham e findavam alongados acompanhando-nos à costumeira prosa na calçada de casa e adentrando à hora do jantar. Comumente, comungava-se p…

Sagrados, como o fogo de Prometeu

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O lírio eucarístico veio da casa da minha infância, assim como vieram estórias que se tornaram história e que guardo até hoje. Minha avó materna tinha o dom, aquela coisa mágica, de não deixar nada morrer, de trazer o passado para o presente. Convivia-se com a maravilhosa presença dos que moravam distante, dos que haviam partido desta para outra melhor e daqueles, digamos, "bem antepassados". Todos eram alimentados por passagens contadas por ela, minuciosamente, onde antigos diálogos eram revividos – os que presenciara e outros, que sabia de ouvir dizer pela sua mãe -, sobre tipos físicos, as idiossincrasias, as opiniões de cada um, as atitudes e reações diante dos fatos da vida, suas maneiras e gestos. A recorrência neste caso é uma dádiva, quase e por vezes mesmo poética e fantasiosa, que torna heróis e heroínas nossos familiares. 
Traziam-nos, pois, no dia a dia e para estar conosco nas comemorações da Semana Santa, nas celebrações do mês Mariano, nas festividades da Igrej…

Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

Blog do Sávio Almeida: Rio São Francisco: caminhos de Pão de Açúcar

Poesia

Vizinhos

Minha mãe e eu
percorremos casa por casa,
trazendo seus mortos às portas.
A rua é velha e a mesma.
Os que morreram estão distraídos
e conversam, atuando vida.
Das três moiras, nós duas,
fiamos e tecemos à ilusão,
findos destinos tardios.
Contando-os às dezenas.

Deitadas em nossas camas,
Eu e minha mãe
vemos juntas, as lúgubres fileiras
Enchendo as calçadas.
Ei-los, os quais evocamos,
Negando os fios que Átropos cortou.

Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

Mais uma matéria oriunda do sertão alagoano, publicada pelo Campus/O DIA. Desta feita quem a assina é a escritora santanense Lúcia Nobre.

Vale conferir!



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Blog do Sávio Almeida: O sertão das bandas do Ipanema

O que poderia ter sido

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Alzira me contou como o havia conhecido e lembrava bem como foi. Era um homem atraente. Avistara-o de longe, conversando animado em uma roda de amigos.  Naquela confluência de ruas no bairro de Jaraguá, nas imediações do Bar da Zefinha, acontecia o lançamento de um livro. Tinham ido para o mesmo evento. A memória a enganava?  Não. Os olhares se cruzaram. Lembrava bem que tendo passado pertinho dele e estando a alguns passos adiante, ouvi-o perguntar a alguém ‘quem é essa?’. Faz muito tempo. Muitos anos. Nem posso dizer que o conheci, Violeta. Eu o vi. Conhecia só de ouvir falar. Um homem tão festejado, não era para menos.
Quando penso naquele dia, a minha vida desdobra até não poder mais. Fico imaginando que outro futuro teria saído daquela noite. Uma intercorrência que poderia ter mudado o meu percurso no mundo, ou então, descarte-se tudo, a ver que tudo não passa de hipotética ilusão. Vem daquilo de a pessoa achar que a vida que tem ainda é pouco. Um excesso de absurdas e hilárias co…