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"Salve, salve Pão de Açúcar, salve a Terra da Cultura"

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Pão de Açúcar - Foto: Goretti Brandão As portas da Escola Estadual José Soares Pinto estarão abertas hoje, durante todo o dia, para exibir a exposição de trabalhos de artistas da Cidade Branca. O feito, organizado por alunos do curso médio, é o resultado do Projeto Feira Cultural: “Artistas da Nossa Terra”, que tem como objetivo tornar conhecida a produção artística, que abrange as diversas modalidades da arte e da cultura paodeaçucarense. Conhecida por ser o berço que embala gerações e gerações de músicos, poetas, pintores, escultores, escritores, as ações de vulto destinadas à promoção da cultura pararam lá atrás, em 2004, com o lançamento do livro: Terra do Sol, Espelho da Lua, do escritor Etevaldo Alves Amorim e a reedição: Pão de Açúcar: História e Efemérides, da autoria de Aldemar de Mendonça, pai do poeta Marcus Vinícius, revisada e ampliada, também por Amorim. Há, no entanto, um registro anterior. Em 1999, quando do lançamento do livro: Pão de Açúca...

Um olhar sobre o envelhecer - 2ª Parte

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Dando seguimento ao texto sobre o envelhecer, volto à importância do tipo da colheita a ser feita enquanto se caminha pela vida. Alguns, apenas quando são empurrados para a estação invernal é que se apercebem que as mãos estão vazias, que aquilo do que se necessita, após tanta andança, foi por eles desconhecido. A maioria sente a falta e a angústia de não saber nem o que está faltando. Recorro à mitologia grega como suporte à construção e evolução do texto. O mito grego de Perséfone, diz que a bela jovem, filha de Deméter e Zeus, vivia alegremente e despreocupada com o que quer que fosse, colhendo flores sobre a terra, até que Hades, o deus do mundo dos mortos, apaixona-se por ela e consegue raptá-la, levando a moça para a sua morada. A leitura dos mitos gregos, quando se considera que o berço cultural do ocidente está na Grécia antiga, é uma maneira interessante de buscar entender os estereótipos ou lugares-comuns nas reações humanas, reproduzidas através dos tempos. Ob...

Caminhando pelos outonos e invernos da existência

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Um olhar sobre o envelhecer Um dia a gente passa em frente ao vidro espelhado de uma loja, em um centro comercial, e sente o impacto: não somos mais os mesmos. Mudamos. A sensação que se tem é a de que estamos em um corpo errado. É como se uma máscara, revestindo a nossa pessoa inteira, estivesse escondendo e roubando a imagem que até então era a nossa identidade; o eu-sou-este (a).  Somos pegos de surpresa, porque ainda que tenhamos a mente cheia de idéias e projetos, acontece uma grande confusão: a pessoa de dentro começa a não combinar com a imagem projetada no exterior e o próprio corpo dá indícios de que a vigência física começa a declinar. Sequer somos convidados a entrar no processo. Neste sentido não há escolhas. Há sim, um caminho a percorrer, como outros percorridos tempos atrás, quando passamos de...

Confirmando o DNA: Gal, Dália e Ludmila Monteiro

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Gal Monteiro e suas filhas, Ludmila e Dália, se apresentam hoje, no Projeto Palavra Mínima, no palco do IZP, com o espetáculo DNA. Extensa, a entrevista com a artista pode não obedecer aos critérios textuais da mídia internet, mas é impossível preservar no texto o essencial, quando tudo por si só, nele, já é essência. Convido os amigos do Ensaio Geral à deliciosa leitura... 1- Gal, as diversas expressões artísticas sempre interagem entre si. Possivelmente, porque lidam em essência com um princípio comum a todas elas, e que brota daquilo que sai da alma do artista, como sendo uma resposta àquilo que entra em contato com a sua alma, vindo de fora ou daquilo que está em sua alma e interage com o exterior, com o mundo, e que encontra nele o canal de materialização da arte. No entanto cada expressão para cada forma de arte tem sua identidade própria. Como é que você, Ludmila e Dália conseguem trazer para o palco a interação entre duas identidades artísticas? R- Eu sempre estive l...

Gal Monteiro & Ludmila, amanhã, no Teatro Linda Mascarenhas

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Gal Monteiro O Projeto Palavra Mínima apresenta amanhã, sexta-feira, 16, às 20h, o espetáculo: Gal Monteiro & Ludmila em "DNA". Em entrevista, Gal fala sobre o trabalho artístico compartilhado entre ela, Ludmila e Dália, também sua filha - e que tem participação especial no show -, sobre sentimento, sensibilidade, herança artística, em como a arte transita livremente, prolifera, se mistura e preenche os espaços onde as relações de amor familiar são construídas e alicerçadas entre elas.  Uma excelente conversa que trago para o leitor, amanhã, aqui no Ensaio Geral. Aguardo vocês!

Noite de dezembro

Sinto o cheiro do Natal todos os anos. É um cheiro que guardo comigo desde a infância e que volta por essa época. Nos meus registros sensoriais, o tempo, todo ele e a todo tempo, exala aromas específicos. Aromas sagrados, que têm o poder de me conduzir e iniciar nos mistérios natalinos. Retorno por dentro das minhas lembranças, até chegar aonde quero ir, e  aqui estou:  A sala irradia a luz dezembrina. Deve ser a das nove da manhã, essa hora que traz a minha avó do seu quarto, carregando uma caixa grande de papelão. Estamos eu e meus irmãos, crianças, a sua volta. Um grande galho seco, cheio de hastes por ela escolhido, acha-se posto dentro de um jarro pintado de dourado. Estou diante do que será a nossa Árvore de Natal. Todas as extensões da planta estão cobertas de algodão. Aberta a caixa, suas mãos habilidosas e pacientes retiram do seu interior, luminosas e delicadas bolas natalinas. A curiosidade cresce - a gente, meninos e meninas -, delira querendo pegar as coi...

Pequena história noturna

Havia conhecido a moça em minha terra. Bonita, a gaúcha era alta, loura, bem vestida e aparentava ter 30 anos. Não sei por que, levou-me à sua cidade. Não tinha quem o dissesse, mas era pobre e periférica. O que tinha e de sobra era a altivez de gente nobre e fenótipo de manequim. Em sua casa desorganizada onde tudo era uma descompostura da ordem, me recebeu a sua mãe, uma mulher desajeitada e nada parecida com a moça. Hospedaram-me muito bem. Eram atenciosas e diligentes o tempo todo. À noite, da sua casa localizada em um morro, olhamos eu e ela, a cidade, os prédios iluminados e os carros. À visão daquele mundo, outro, não lhe disse nada, mas desejei estar ali, longe que estávamos daquele tipo de vida. Como se tivesse lido os meus pensamentos, ela me disse que aquilo que víamos não era importante. Concordei por educação. Não tardou e apareceu um rapaz desconhecido que eu sabia, viera da minha terra, que ao contrário da moça que tão bem me acolhia, tinha-me antipatia. Perseguiu-me....